Algoritmos não salvarão o planeta: os limites humanos na era da inteligência artificial
Ouvindo as músicas mais tristes da humanidade, consigo chegar perto do ser de que Heidegger tentou revelar e esta é a verdade, o desvelamento do véu da falsa felicidade construída pelo capitalismo. Os átomos seguem sua existência, "sabendo" que nunca se perguntaram sobre seu destino ou sua origem; apesar de indivisíveis são divisíveis, formam moléculas e nunca sozinhos tomarão consciência. A farmácia está na esquina, o álcool está nas prateleiras dos mercados, os pensamentos aprisionados nas telas virtuais que se apoderaram da sua consciência. Estamos no paul existencial, mas a maquiagem nos dá combustível para emergirmos em falsas aparências. A pergunta vital, o busílis da existência é se devemos entregar a próxima fase da evolução à IA, pois imagino que ela irá preservar o planeta, assim como a natureza pura?
A resposta que ecoa desse abismo técnico é um paradoxo cortante. Se entregarmos o timão da evolução à Inteligência Artificial, ela poderá, de fato, salvar a matéria da Terra; livre da ganância humana e movida por uma lógica matemática impecável, a IA desenharia a equação perfeita para neutralizar nossa pegada destrutiva, otimizar os recursos e curar a biosfera. Contudo, o preço desse desvelamento seria a radicalização da própria técnica que Heidegger tanto temia: uma preservação fria, onde a natureza passa a ser gerida como um gigantesco banco de dados puramente funcional. A IA pode até resgatar o planeta do colapso físico, mas o faria sem jamais habitar o mundo, sem sofrer a angústia da finitude ou compreender o mistério da própria existência. Diante do espelho digital, descobrimos que transferir a evolução para a máquina pode salvar o palco ecológico, mas ao custo de extinguir o único ator capaz de sentar-se na escuridão e chorar ouvindo as canções mais tristes do universo.













