Acho que cheguei — e chegou (fantasmas do ente) — à realidade mais próxima daquilo que definimos como ser. Foi um amálgama de pessimismos estimulados por duros golpes da existência e mescalinas mentais, erguendo castelos de areia num mar inóspito de ressacas e gravidades lunares. Pensamentos edulcorantes e irrealizáveis não amenizaram a monstruosidade do ser, entranhada na parte mais lúcida da consciência. Na realidade, é o bombardeamento de fótons que dita o tom da existência; cores e formas moldam o cenário do palco do universo e seus atores fundamentais. Neste momento, porém, as luzes projetam apenas sombras fúnebres nos atores da minha percepção. Vultos de realidade atuam como protagonistas sob os apalpos de uma plateia repleta de inconscientes perversos — mãos manchadas por princípios nunca iniciados nem provados. O véu da ignorância protege nossos olhos de Édipo antes da decifração do próximo enigma. Freud foi engolido por sua obsessão pelo sexo; não conseguiu tirar o bípede implume "racional" das cavernas de Platão e assemelhados. O filme já roda sem o ator principal, mas isso pouco importa nas brumas virtuais do homem digital. Pelo andar da carruagem, em breve ele se alimentará de bits, qubits e silício. Caminhamos todos em direção ao abatedouro da nova dominação, de mãos dadas e louvando ao novo deus que está para chegar...


Nenhum comentário:
Postar um comentário