quarta-feira, 27 de maio de 2026


O Microcosmo e o Projetor da Mente 

Da Entropia ao Fim do Universo





O último verão escorreu pelas minhas mãos. Séries de imagens vêm à tona na consciência, uma fluidez atemporal, a não ser pelas características do verão sendo relembrado no pré-inverno — cervejas consumidas na mureta do posto de gasolina e o sol quente no fim da tarde com crianças, mulheres, caminhantes, cachorros e pássaros se movimentando. Agora, um dia chuvoso, já no início da noite, um casaco contrastando com a camiseta de algodão; os ocultos seres se sentiam mais à vontade com a camuflagem que o semibreu lhes proporcionava. Sombras, luzes refletidas em poças de água, semáforos trocando os sinais, um frio condicionante para o imagético que brotava da umidade. Os blocos de consciência nos levam e nos trazem na dança da vida. O que é o pensar senão a evocação do passado e do futuro no presente? O filme já está gravado, o projetor pode avançar ou retroceder ao nosso bel-prazer, mas queremos determinar o próximo segundo que não nos pertence; nunca compreenderemos o fluxo do universo na nossa própria casa. A mente precisaria de um abracadabra para se integrar e compreender o universo, mas mal sabe ela que já está compreendida nestes versos unificados que abrangem as múltiplas visões de um ser que tateia a explicação do que é...

terça-feira, 26 de maio de 2026




Entropia, Van Gogh e o Apocalipse: Para Onde Caminha a Humanidade?



A seta do caos e o fluxo do tempo irretornável... O copo de água cai no piso e nunca mais voltará a ser o que era. A Segunda Lei da Entropia é cruel para os homens que vivem de ilusões e sonhos irrealizáveis — até mesmo pesadelos. Heráclito nos alertou para isso. Os paraísos, a era de ouro, nunca mais retornarão. Panta rhei. Ouro, prata, bronze, ferro e, agora, estamos na radioatividade. Caminhamos, como universo e humanidade, para o influxo do apocalipse; nada mais será como antes. A cada buraco negro surgirão novos universos e leis físicas diferentes. E a consciência humana não entendeu que o desafio é ficarmos neste planeta e vivermos da melhor forma possível. O zero grau Kelvin não se sustenta por muito tempo e a matéria começará a se movimentar sem nunca retornar ao que era. Explosões e universos paralelos se sucederão na direção irreversível do espaço-tempo. Vamos voltar para as matas, para os litorais, para as planícies e nos tornar mais naturais, se possível, veganos, e morrermos naturalmente, sem causar dano ao nosso planeta. Mas todos os universos estão condenados desde o momento quântico ao supercosmo, das partículas às galáxias... As flores nos campos oferecem seu néctar aos polinizadores — a vida flui e assim se manterá até o fim de nossos tempos. Os quadros de Monet e Van Gogh nos guiarão na preservação da Terra e a existência nos conduzirá para um melífluo fim...




segunda-feira, 25 de maio de 2026




O Peso das Horas no Tecido do Cosmos






O tempo não é um rio reto e imutável; é um lençol elástico estendido sobre o abismo, tencionado pelo capricho da matéria. Nós nos movemos na ilusão de uma cronologia fixa, mas a física desmascara a nossa percepção: o relógio é escravo do espaço.
Quando a densidade se acumula e a matéria se comprime em fúria, o universo afunda sob o seu próprio peso. A gravidade nada mais é do que esse cansaço do espaço-tempo, um buraco profundo na geometria do nada. Onde o cimento cósmico é denso e plúmbeo, o tempo é forçado a caminhar mais devagar. Ele se arrasta pelas encostas dos planetas e quase para no horizonte dos buracos negros, como se a massa esmagadora das coisas segurasse os ponteiros invisíveis da existência.
A velocidade, por sua vez, é o pedágio que pagamos para navegar pela imensidão. Existe um limite absoluto, uma barreira intransponível moldada pela luz. Quanto mais rápido corremos pelo espaço, menos nos movemos no tempo. É uma partilha matemática e trágica: quem consome o espaço com pressa, esgota a pressa do próprio tempo, dilatando os segundos em uma eternidade particular.
Não somos apenas poeira de estrelas; somos prisioneiros dessa estética improvável onde a luz dita o ritmo, a velocidade estica os dias e a gravidade deforma a nossa história. Diante de multiversos que se criam e recriam no escuro, talvez a ciência e a poesia busquem o mesmo destino: aceitar que tentar explicar o tempo é apenas uma forma sutil de tentar dominá-lo.




A Camada Réptil

Multiversos e Amigos Invisíveis

O Deus que Enfraqueceu Roma

A Anatomia do Caos



Está tudo muito estranho. Os sentidos já não captam a realidade — nunca captaram -, mas o que é a realidade senão interpretações individuais puras ou flexionadas pelo poder? O Paraíso Perdido de Milton não constrói o mundo, pois ele sempre foi assim. É como se os deuses humanos, amigos invisíveis das horas amargas, não fossem as serpentes que picam e injetam sua peçonha no nosso sangue impuro; surgem no córtex humano para superar a camada réptil que ainda domina grande parte das ligações cerebrais. Tudo está mais para gregos do que para romanos. O deus de Roma enfraqueceu o Império, decaiu o vigor de uma civilização. A sucessão de buracos negros cria e recria multiversos; a eternidade é a única realidade para explicar o que não sabemos neste momento, ou que em momento nenhum conheceremos. O mito é herdeiro da magia; a filosofia foi construída neste contexto e gerou a ciência; a tecnologia deu musculatura a ela, mas o círculo vicioso é a tônica do que tentamos conhecer. Não seria melhor otimizar a existência em vez de tentar explicá-la?


sábado, 23 de maio de 2026

 


I



Estou no Vórtice de um Redemoinho

(Ciclone Invertido)

Derramado em Emulsão Scott...

Flutuam Entranhas de Bacalhau

Fígados, Almiscares e Âmbar...

Estou Atrás do Espelho

Numa Profusão de Magia e Pixel

Alice me Chama

(No Verso do Cristal Líquido)

E a Vida Mergulha sem Sentido no Sanguíneo

Nos Cabos Lógicos

No Wireless

No Devaneio...

Estou na Última Ceia

Servida em Távola de Abeto

Em Meio Alabastros Olorosos

Tombam os Mastros...

Visões e Demônios de Blake

Pensamentos Cinábrios

Vaporosos

Gólgota de Solidão e Sentimentos

Oxida o Metal

Derrama-se o Vinho

Ladainhas Intermináveis

No Púlpito Julgador

Canto de um Galo em Latim

Ecos da Toga do Pudor

Verte Sangue a Quatro Cantos...


***
II

Seus Pés Flutuam

Como um Santo em Êxtase

Porém seus Bípedes Tocam o Sangue da Expiação

Durante Séculos Evolui a Criação

Em Forma, Espíritos e Ideias

Mas o Hemo de Urano foi em Vão

A Barbárie e a Selvageria dominam

(Entre Elétrons e Quantuns)

Os Deuses, os Semi-Deuses e o Deus Uno morreram

O além do Homem não chegou

A Herança de Nietzsche Chora no Aquém

O Vale de Lagrimas Tumesceu as Cinzas

A Fênix É Mortal

Fechem as Férreas Portas do Paraíso...

***

III

Vermes de Deus

Soluções Tech de Hong-Kong

Pássaros Gorjeando num Gerúndio Interminável

Chips & Cana de Açúcar

Bites & Etanol

Marx & Smith

Resoluções para uma Nova Ideologia

Queria Estar Bem Diferente

Sem Ser

Sem Saber

Apenas Ter a Sombra do Etéreo...

***

IV

Lancinada Lanterna Lança Luz

No Crepúsculo da Caverna

Diógenes Procura...

Platão Filosofa a Cena

Imagens Distorcidas

Charruas Sulcam Chagas

Auroras e Paixões Mercuriais Incontidas

Na Epiderme da Razão...

O Crânio Vilipendiado Adoece

Sentimentos Ignotos Fulcram

Regem a Loucura Inconteste...

***

V

RETORNO

Procuramos Voltar

A Infância, ao Útero

Aos Anos Precedentes

Ao Genoma do Uno

***

VI

A Garganta Magnética

Sobr(e)coa repetindo Mantras

Misturas Tecnorientais

Enquanto Sexos se Dissolvem...

Tonitroantes Sons

Voluptuosas Aves Céticas

Palram no Zênite...

***

VII

ESCALPO

Estou Fora de Escopo

De Alvo

No Target

(Meus Mocassins Sioux Estão Fora de Moda)

***

VIII

METAIS

Os meus Sentimentos de Ouro

Tornaram-se Prata

Bronze

Hoje São Inexpugnáveis

Inoxidáveis


***

IX

Paraísos Perdidos de Milton

Sábias Sinfonizam ao Aroma de Chandons

Numa Tarde Infinita

Num Canto Esquecido da América

Mitologias 

Transformações da Consciência...

Romances Pipocam na Estante

Dotoiévski, Tolstoi & Rimbaud...

Além, muito Além das Cercanias

Redobram os Sinos Indomáveis de Caronte...

O Dardo Penetrou no Alvo

O Poeta tem o Dom da Morte e da Vida

Do Mote e da Verve

Do Etéreo e do Hades...

***

X

No Zênite Azul

A Abóboda dos Desejos Espera

No Fleuma de Viver

Admoestada a Fera...

***

XI

Relógios Decompostos Transmutam o Tempo

O Fractal e o Caos

A Morte Dá Certo Sentido a Vida...

***

XII

TEORIA SEM TEOR

Há Quanto Tempo a Luz Viaja no Espaço?

Os Olhos Miram a Ingratidão Quântica

Nos Melífluos Céus de Pez..

Plenílunio e Oceano

Foi Tudo em Vão


***

XIII

FOGO-DE-SANTELMO

Risca os Mastros

Na Solidão do Mar Imenso

Arde o Fogo Tenso

Sob os Astros...

Naus a Vela

Singram Oceanos...

Homens Livres e Reclusos

Sonhando nos Líquidos Planos...

***

XIV

Camões & Pessoas

Vivem e Sonham

Prosas e Poemas...

***

DESCONSTRUÇÃO POÉTICA

A Vida Flui de Acordo com os Vetores do Big-Bang

A Mente, a Linguagem, os Neurônios...

Do Ventre Saístes Sapiens

O Buraco Jaz te Espera...

Seguimos Desconstruindo a Esfera Gaia

Que Flutua na Sandice da Gravidade Relativa...

Tanto Tântalo como Thanatos

Habitam seus ingremes e Planos

Em Meio a Banquetes Peçonhentos

Ouvem o Repique dos Campanários do Purgatório

Que Evocam Arquétipos e Saudades Medievais...

EPILOGO:

Doces e Edulcorados Trinados em Meio a Tarde

Desconstroem Poesias Léxicas

Os Colibris com seus Acúleos Bicos

Decompõe a Flor ao Mesmo Tempo que Germinam

E meus Pensamentos em Fragmentos Divagam...

***

XV

A MORTE

Ela Vem com o Sol, Com Nuvens, Com Chuva

Se Torna Espessa Bruma...

Desaparece com  Verbos, Adjetivos

Mas quem Morre é o Substantivo...

Ela Advém do Lixo, do Luxo

Guarda Corpos, Almas e Memórias

Poesias e Historias...

Ela Está em Todas as Idades

In Vitro, Inocente & Culpada

Liberta ou Amarrada...

Ela Chega por Voz

Impressa

Telefone, E-mail, WhatsApp  & Carta Analógica

Sem Hora, Sem Data...

***

XVI

DESTINO

Vivenciei todas as Madrugadas

De Olhos Esbulhados e Figado dilacerado

Esperei a Morte e o Transpassar das Lanças

Invólucros da Existência

Fui Lancinado pela Palingenia do Destino

Fiquei Só

***

XVII

CHURRASCO EXISTENCIAL

As Carnes Mortas

As Aves Inocentemente Gorjeando

Parece que elas Não Conhecem a Tristeza

De Bovinos Assando

A Cada Domingo...

O sol ainda Brilha

E a Consistência da Veneta

Desliza nos Trilhos dos Homens...

O Trem da Existência Desaparece

Esconde-se na Clausura do Espirito

Enquanto Carnívoros Devoram Vidas...

***

XVIII

FARSA PLANETÁRIA

Vênus em Oposição ao Sol

Pensando Ser uma Estrela

Teve seu Momento de Gloria

Segundos para Eternidade

Vã Vaidade  

No Sistema Solar...

Dia próprio para perquirições internas. Muitas coisas me preocupam (pré-ocupam); o céu sombrio, a temperatura baixa e a umidade me levam a c...