Está tudo embaraçado - a visão, o clima, o pensamento
Está tudo embaraçado - a visão, o clima, o pensamento. A humidade me faz curvar meu corpo no frio intenso, mas isto não me faz desistir de sentar no cimento molhado, sob chuva e tomar cerveja gelada e observar o fluxo do cotidiano interpretado de varias maneiras. Fluido continuo, que não consegue mais separar passado, presente e futuro - coisas de vanguarda da ciência, que sempre alimenta o imaginário com os mesmos fatos. A depressão é sólida, consistente. Ouço gemidos de dores, aterrorizando a noite, varando a madrugada, vejo telas decadentes explorando e expondo o sofrimento humano. A idade avança e começamos a nos deter em minucias, as plantinha e os animazinhos, como cantou cazuza - para a satisfação, bem como a como à fustração, antes não tinhamos preocupações que nos levassem a questionar o verdadeiro sentido da existência, simplesmente existiamos - e agora compreendemos que o tecido da superficialidade se dobra a cada movimento contrário a nossa "felicidade". Erguemos muros para nos proteger do exterior - da finutude que estamos condenados, criamos paraísos para nos recompensar do sofrimento que permeia nossa timeline, inventamos maneiras de ludibriar a consciencia de nossa morte - inescapavel e com isso agravamos a ansidade que mais tarde nos cobrará em dobro. Estamos em um beco sem saída - sinuca de bico, enquanto mantivermos a ilusão de que trancederemos no fim do nosso ramerrão de dor e prazer. Nada muda apenas a percepção da consciência vai enfraquecendo, enquanto nosso corpo vai se debilitando com a aproximação do final do filme. Depois que cortam a corda umbilical, não resta mais nada se não a solidão eterna - nascemos sozinhos e morreremos sozinhos..












