TRIBUTO A BERKELEY
OU
EMPIRISMO EMPERRADO
O Labirinto Neuronal: Como a Nossa Biologia Aprisiona o Infinito
Empirismo de Lixo e Álcool: A Estética Trágica da Consciência Subtropical
O que vejo não é o que vejo. Aliás, o que sinto não é o que sinto. O que penso são ideias, mas eu não existo como objeto metafísico, cartesiano. Dou suporte a pensamentos que não são percepções ordenadas oriundas dos sentidos. Não creio que haja uma realidade que os modelos dos meus pensamentos possam representar fielmente. As vivências que percebo são aprisionadas pela complexidade cerebral. Resumindo: Aquiles nunca alcançará a tartaruga...
Levei o mundo para dentro de minha casa neuronal, mas o mundo não cabe; fica sempre incompleto (apesar de a incompletude suportar o infinito). As percepções reivindicam o conhecimento, pois não há conhecimento sem primeiro ter havido percepção. O pensamento é percebido; uma vez percebido, pode ser manipulado pelo fluxo de ordem que entra pelas portas da percepção (The Doors of Perception – Aldous Huxley). Porém, tudo isto é ficção. O que acontece, com efeito, é: só posso crer na ordem com que o mundo entra pelos sentidos — ir além disso é querer transcender para o nada, é querer imaginar o fim do infinito, acreditar em Deus. Mas, como disse Wittgenstein no seu sétimo aforismo do Tractatus: "Sobre aquilo que não se pode falar, deve-se calar".
FILOSOFIA DE ALUCINAÇÃO
IEstar sentado, escrevendo sem direção, até sem propósito, sem sentido em meio a questionamentos existenciais, a pensamentos a partir dos coacervados até chegar à complexidade neuronal do Homo sapiens sapiens. Mas o que quero dizer neste sítio localizado nestes subtropicais da América do Sul, sem relação com o mundo formal, senão com o mundo etílico que faz parte da minha existência há longo tempo? Escrevendo e pensando, mas sem nenhuma utilidade para a sociedade capitalista, apenas metralhando teclas, manipulando canetas em papel em branco achado no lixo. Tentando sentir a forma como a corrente elétrica se manifesta no meu corpo biológico, observando os fótons explodirem na superfície do que a linguagem e a semântica designam objeto.
A Prisão da Percepção: Do Tecido do Cosmos ao Labirinto Neuronal
Se no horizonte macrocósmico de Einstein e Nietzsche nós inventamos deuses e códigos morais para domesticar a expansão do universo, no microcosmo da nossa existência o colapso é ainda mais íntimo. A nossa neurose por absolutos não nasce nas estrelas, mas sim no confinamento da nossa própria biologia. Queremos organizar o espaço-tempo lá fora porque somos incapazes de gerenciar o caos que entra pelas portas da nossa percepção.
É o empirismo emperrado: levamos o cosmos para dentro de uma casa neuronal que é pequena demais para ele. Ao tentarmos traduzir o infinito através de fótons que explodem na retina e correntes elétricas que cruzam a carne, percebemos a grande ficção da consciência. Não há um "eu" cartesiano ou um objeto absoluto a ser descoberto; há apenas uma mente selvagem e isolada nos subtropicais do mundo, metralhando teclas ou riscando papéis achados no lixo. No fim, a tentativa de alcançar a verdade pura é o paradoxo de Aquiles e a tartaruga — corremos em direção ao real, mas ficamos presos na nossa própria complexidade cerebral. Diante do infinito que não cabe no crânio, a transcendência se torna um delírio antropomórfico, e a única honestidade que nos resta é o silêncio de Wittgenstein.


















