quinta-feira, 26 de março de 2026



 

BADpoema - PORTO ALEGRE - EVICTION IN #POA243





BADpoema


EVICTION IN  2026

&

GENTRIFICAÇÃO






Gentes pelas ruas, sem destino, sem teto....

Árvores tombam no sentido perverso,

Espigões de concreto, aço & dólares em alta...

Lá vai gente para os rincões sem estrutura,

Porto Alegre Top: 

Na Contra-mão da sustentabilidade...

Especulação imobiliária...


Eviction In POA...





Da água que bebes do esgoto cloacal é sugada...

Os teus verdes intumescidos de carbono pedem socorro,

S.O.S. POA

Ciclistas protestam o descaso,

Ciclovias eleitorais elegem políticos,

Mendigos são mortos...

Eviction In POA...





Favelas são removidas para aviões decolarem,

Levando a salvo pés burgueses na American Airlines ...

Sapatos laborais são abandonados em latas de sardinha,

Respirando dióxido de carbono & Enxofre...

Enquanto Bla Bla Bla Online...

Eviction In POA...





Os impostos são canalizados para os abastados,



Estádios "privados" a menina dos olhos...

Dos postos de saúde se houve lamurias,

O ensino das crianças exalam carência, 

Os Jornalistas das Mídias Calados...

Eviction In POA...






EVICTION IN #POA243

PS por outrem: Entendendo que Porto Alegre não conta com uma política de auxílio às pessoas em situação de rua eficiente, a Defensoria Pública da União (DPU) ajuizou um pedido para que a União efetuasse um pagamento de auxílio-moradia. Uma ação civil pública foi ajuizada contra a própria União, o governo do estado do Rio Grande do Sul e o município de Porto Alegre. Na tarde de quinta-feira (7), porém, a 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) , por unanimidade negou o pedido...


  


MUY VALOROSA E LEAL




PÁ  -  P.A., POA, PORTO ALEGRE


teus filhos espúrios derramam-se nos seus seios,

mas tua láctea alimenta asfalto, parques, moinhos

tuas veias negras são para seres metálicos,

seus preferidos se adornam com ternos e estolas,

em meio a cristais, mezaninos  e operas;

porém no ventre da noite mendigos urinam a cachaça, destilam sangue


PÁ  -  P.A., POA, PORTO ALEGRE

teus vales estão contaminados por povo,

que labutam, estendem panos, são espancados,

teus metais de bronze em herois na praça,

são moeda de troca para matar a fome
ou sonhos vagabundos

tuas pichações não mentem:

"AS INJUSTIÇAS NÃO CABEM DENTRO DA URNA"


PÁ  -  P.A,  POA, PORTO ALEGRE

teu lago é a lagrima do excluído,

tuas luzes burguesas atraíram mariposas,

que morrem nos teus becos exalando miséria,

tuas noites, bares, desesperanças, chacinas,

teus livros e espaços públicos são a arquitetura da exclusão,

tuas crianças pobres cheiram cola,
(crack)

o vício como educação,



PÁ  -  P.A., POA, PORTO ALEGRE

teus poetas tradicionais estrupam a musa da verdade

não sei te cantar em versos,

nem exaltar teu por do sol,

o real está mais perto,

mora na cruzeiro,

circula na mostardeiro,


PA  -  P.A., POA, PORTO ALEGRE

porto alegre de todos os cheiros,

emanam da gastronomia,

das fezes e urinas no passeio,

esgoto, dilúvio e arroio,


PÁ  - P.A., POA, PORTO ALEGRE

tuas pernas roliças estão flácidas,

teu corpo rotundo,

tua barriga explicita e burguesa consome a esperança,

tuas nádegas flatulentas abafam o perfume,

que espuma hidrofobia em direção aos indigentes...




P.A.

POA

PORTO ALEGRE

PLÁ...



quarta-feira, 25 de março de 2026




 Hoje: descobri —

o fundo do poço não é limite,
é interface.
há um subsolo.
(e talvez um gradiente infinito de quedas)

Ainda assim:
aves.
uma sinfonia estatisticamente improvável ao amanhecer
num bosque que não existe fora da mente
— mas existe como estado.

As ilusões não “crescem”:
elas se acumulam como ruído térmico,
aumentam a entropia informacional
até sufocar qualquer sinal de realidade.

Estou à deriva
(não metáfora: ausência de referencial inercial estável)
e os alertas de tempestade são só previsões caóticas
num sistema sensível às condições iniciais
— timeline como equação divergente.

Concertinas. arames. venenos.
topologia hostil.
tento emergir num rio
que já não conserva identidade ao longo do fluxo.

Heráclito mal interpretado:
não é o rio que muda —
é a impossibilidade de definir o mesmo estado em t₁ e t₂.

quando entender que “rio” é só uma função dependente do tempo,
talvez reste algo como consciência
(ou só mais uma ilusão de continuidade).

Flertei com o budismo:
aniquilação do eu como solução elegante.
mas recaí
em equações mal postas, mal condicionadas,
sem solução física admissível.

Carros passam:
máquinas térmicas imperfeitas
convertendo ordem em dissipação,
CO₂, NOx, partículas —
respiramos o subproduto da irreversibilidade.

Já não flutuo no rio.
sou comprimido por blocos discretizados de tempo:
passado (memória), presente (instável), futuro (probabilidade).

a seta do tempo não volta —
não por proibição moral,
mas por estatística:

ΔS0\Delta S \geq 0

ΔS0

a entropia não negocia.

Causa → efeito?
aproximação macroscópica.
no fundo: correlações, não narrativas.

a escrita do universo não é invertida —
somos nós que lemos tarde demais.

Caminhamos ao abismo, sim —
mas “abismo” é só um atrator estranho
no espaço de fases.

Multiversos?
hipóteses inflacionárias,
talvez excesso de liberdade matemática
sem evidência empírica suficiente.

armadilhas elegantes.

E ainda assim:
a intuição primitiva insiste —
voltar.

coletores. caçadores.
baixa entropia local às custas de ignorância global.

Maldita hora em que os símios olharam para o céu
e abstraíram.

Desde então:
linguagem > realidade
modelo > fenômeno

e nos perdemos no mapa.

Heidegger tentou:
ser-no-tempo
mas o tempo não “é” —
é parâmetro,
ou emergência.

A caverna não como regressão,
mas como redução de variáveis.

Esqueçam:
IA, viagens interestelares, delírios quânticos mal compreendidos.

tecnologia = amplificação da capacidade de dissipar energia.

Resta:
fermentar.
caçar.
coletar.
alterar a consciência por vias bioquímicas
(e não algorítmicas).

Deus?
não entidade.

campo.
processo.

Natureza.

E o universo —
talvez não seja mais do que isso:
um sistema fechado
onde tentamos, inutilmente,
reduzir a entropia local
enquanto o todo
silenciosamente
vence.





terça-feira, 24 de março de 2026






Estou imerso em ciclos da existência; o círculo vicioso de Sísifo é parte inseparável da vida. Garrafas de cerveja repousam no chão da peça solitária, cenário das minhas lucubrações intermináveis, que partem de um ponto geométrico e giram em trezentos e sessenta graus. Tudo permanece inerte diante da perspectiva de um futuro, pois o looping é irreversível. Os campos quânticos fazem o nada pulsar no vácuo das almas. Sou incorporado em insubstâncias inapreensíveis pelos sentidos comuns, que se desfazem diante da consciência de que não começamos nem terminamos: somos apenas partículas consolidadas do infinito eterno. Do paleolítico ao silício, as reações psicológicas ecoam como respostas da pedra que sobe a montanha e retorna pelo declive...




O garçom é reflexo de nossa alma. Não nutro simpatia por Jean-Paul Sartre quando recorre à metáfora da má-fé do garçom para sustentar sua filosofia burguesa. A Revolução Francesa é o exemplo acabado de que tudo vai e vem. Nada evolui. As mudanças são apenas a capa de um conteúdo que se perpetua no desconhecido. O manto de nossas verdades é tecido pelo vazio dos átomos, suas partículas e subpartículas, que revelam que nem no vácuo podemos afirmar a ausência do nada. Tudo é ouroboros. Convido-te a viver na natureza selvagem. A natureza selvagem é o deus selvagem, lapidando ainda mais as lentes de Espinosa. Vamos carregar nossas mochilas e seguir às cordilheiras, contemplar o universo em uma atmosfera límpida, diáfana, e passar o resto dos tempos na naturalidade do planeta-homem — assim como os aborígenes...




sábado, 21 de março de 2026





O entrelaçamento quântico não é apenas metáfora — é a imagem mais próxima que encontro para minha própria assimetria ontológica. Não existo em superposição; não sou possibilidade coexistente, mas colapso contínuo. Sou a atualização irreversível da entropia — o vetor silencioso da desordem que estrutura o real.

A seta do tempo não se curva à vontade humana. Tentar revertê-la é apenas constatar sua tirania. Ao fazê-lo, não encontrei redenção, mas o Érebo — não como lugar mitológico, mas como condição: a ausência de horizonte, o confinamento em um presente sem transcendência. Enquanto isso, Perséfone — símbolo dos ciclos — escapa, reafirmando que a natureza ainda conhece retorno, enquanto a consciência permanece presa à irreversibilidade.

No equinócio de março, a simetria entre luz e escuridão é apenas aparente. O tempo, na descrição relativística do universo-bloco, não flui — ele é. Passado, presente e futuro coexistem em uma estrutura quadridimensional onde o devir é ilusão fenomenológica da consciência. Não há “agora” privilegiado — apenas cortes arbitrários em uma totalidade já dada.

Se tudo está inscrito, então a liberdade é um problema — ou uma ficção necessária. Ainda assim, o sentimento de escolha persiste, como um ruído existencial que a física não dissolve.

O eterno retorno não precisa ser cosmológico para ser verdadeiro. Ele se manifesta na repetição estrutural da experiência. Sísifo não é apenas condenado — ele é a própria condição humana. A pedra não é externa: é o peso da consciência que insiste em buscar sentido onde talvez haja apenas recorrência. O absurdo emerge dessa fratura — entre a necessidade de significado e o silêncio do universo.

A verdade, então, não é linear. É circular — mas não um círculo harmonioso: um circuito fechado, autorreferente, no qual o humano se perde ao tentar encontrar um ponto de saída que talvez não exista.

E ainda assim perguntamos: há fuga? Ou apenas variações do mesmo labirinto?

O sentido da vida talvez não seja finalidade, mas tensão. Não a cenoura inalcançável, mas o próprio movimento de persegui-la — um sistema dinâmico que se sustenta na ausência de resolução.




Nos hemisférios, a luz não apenas ilumina — ela regula. A inclinação do eixo terrestre inscreve no corpo humano oscilações de humor, energia e percepção. Não somos autônomos: somos sistemas abertos, modulados por variáveis astronômicas e atmosféricas. O minuano, o mistral, o nordestão — não são apenas ventos, mas agentes que atravessam o corpo e reorganizam estados internos.

A Lua, com sua gravidade sutil, talvez não governe diretamente a mente, mas simboliza nossa vulnerabilidade às forças que não controlamos. Já as tempestades solares — interferindo em campos magnéticos e sistemas tecnológicos — revelam uma dependência ainda mais profunda: nossa civilização está acoplada ao cosmos de maneira estrutural.

Talvez seja necessária uma sociologia radical — não centrada apenas no humano, mas nas interações entre matéria, energia e vida. Uma sociologia cosmológica.

Eratóstenes não apenas mediu a Terra — ele demonstrou que o pensamento pode ultrapassar a experiência imediata. Seu experimento é a prova de que a razão pode inferir o invisível a partir de relações. Foi esse gesto que permitiu a expansão marítima e a compreensão do planeta como esfera.

Mas o paradoxo permanece: quanto mais avançamos no conhecimento, mais vulneráveis nos tornamos à regressão. A Terra plana não é apenas erro — é sintoma. Indica que o problema não está na ausência de informação, mas na relação do sujeito com a verdade.

Assim, talvez o risco não seja apenas a extinção biológica, mas a dissolução da racionalidade enquanto projeto coletivo.






quarta-feira, 18 de março de 2026

 



Ouroboros da Existência



Submerso nos bucles da vida, carrego o círculo vicioso de Sísifo como marca indelével da condição humana. Latas de cerveja espalham-se pelo chão da peça solitária onde minhas elucubrações giram em trezentos e sessenta graus, retornando sempre ao mesmo ponto. O futuro é apenas miragem: o looping é irreversível.
Os campos quânticos fazem o nada vibrar no vácuo das almas. Sou absorvido por insubstâncias que escapam aos sentidos, fluxos que revelam que não há início nem fim — apenas partículas consolidadas no infinito eterno.
Do paleolítico ao silício, nossas reações psicológicas repetem o destino da pedra que sobe a montanha e desce pelo declive.




O garçom é reflexo da alma. Não partilho da simpatia de Sartre quando recorre à metáfora da má-fé para sustentar sua filosofia burguesa. A Revolução Francesa é prova cabal de que tudo retorna. Nada evolui.
As mudanças são apenas véus sobre um conteúdo que se perpetua no desconhecido. O manto das verdades é tecido pelo vazio dos átomos, suas partículas e subpartículas, mostrando que nem no vácuo podemos negar a presença do nada.
Tudo é ouroboros. Convido-te a viver na natureza selvagem. A natureza selvagem é o deus selvagem, afiando as lentes de Espinosa. Vamos pegar nossas mochilas e subir às cordilheiras, contemplar o universo em uma atmosfera límpida e diáfana, e permanecer na naturalidade do planeta-homem — como os aborígenes que sempre souberam que o infinito pulsa na terra...





sexta-feira, 13 de março de 2026



OPERATION BigBrother >> TAG: hunting Anarchist



O metal frio contatou a derme morna, imobilizou o movimento dos braços de Malatesla, não sem antes ser agredido por socos e pontapés e uma coronhada na cabeça. O Estado e o Privado tinham atingido seu objetivo - O blogueiro contestador-radical que divulgava documentos do Wikileaks estava algemado e sendo conduzido para o cruel e opressor aparelho Governamental financiado pelo Capital Especulativo, pelas Corporações dos Grandes Grupos de Mídia que defendiam os Interesses do Poder Econômico.




O Prédio cinza funcional abrigava em suas entranhas, ou melhor no seu covil, os torturadores, a polícia política e uma infindável lista de opressores psicológicos e físicos. Ali os fundamentos da constituição não alcançavam, não vigiam, os gritos de dores dos presos eram abafados pelas ascéticas paredes exteriores e ignorados pela classe media que usufruía do conforto em sua vida pequena burguesa. Lá fora a Mídia Corporativa Tradicional estampava em seus veículos a democracia, o vigor econômico do País, a Freedom of Speech, as reivindicações da Classe Média e a "Liberdade de Imprensa". O mundo cor de rosa dos que se beneficiavam com a exploração da população de baixa renda, do trabalho escravo na China e nos rincões dos BRICS e mesmo nas periferias das metrópoles ocultava o terror das suas instituições secretas.



Malatesla foi fichado nos arquivos digitais, Politicamente, como Ideólogo dos Anarquistas e Vândalos. Era assim que a grande Mídia separava o joio do trigo. As manifestações que tomaram as ruas do país pela classe média, por busca de uma vida mais burguesa, era "manchada" por depredações no patrimônio público e privado e que segundo a direita e as corporações midiáticas os únicos responsáveis eram designados como Vândalos, Baderneiros ou Anarquistas.
A Via Crucis de Malatesla iria se iniciar...
A cabeça foi mergulhada no tanque com água e fezes humanas, os beleguins da tortura queriam respostas:
-Queremos toda a organização. Fale ou mergulhamos você até se afogar na merda, seu filho da puta.
-Eu sou só um blogueiro e nunca incitei ninguém a violência. Respondeu Malatesla.
-Abre a boca Filho da Puta, nos sabemos que você pertence a rede anarquista e publica documentos secretos para destabilizar o sistema...
Os pensamentos agonizantes do "Anarquista" tentavam traçar uma estrategia para dar alguma coisa para os verdugos; mas como seu único crime foi ter publicado no seu Blog documentos do Wikileaks que mostravam um Grupo de Mídia Corporativa fazendo conchavos com um partido de direita e com o embaixador americano - não possuía nada de concreto. Malatesla Pensou que poderia dar alguns endereços e nomes falsos para pelo menos ter um alívio momentâneo, pois a dor já era insuportável - e sabe mais o que estes algozes são capazes se eu não disser nada:
-Vai Falar seu Anarquistinha de Merda.
-Por Favor; me dê um papel uma caneta que dou alguns endereços e nomes, mas deixe-me sozinho por algumas horas para que poça recobrar os sentidos, reorganizar minha memoria.
- Tá bom seu porra de anarquista, mas se você não nos der nada vamos acabar com você.
Malatesla no auge da juventude havia levado um xeque-mate, uma sinuca de bico; sabia que sua existência estava reduzida a um dia, dois dias no máximo. Não tinha nada a dar, a delatar - apenas ganharia algum tempo fornecendo informações falsas, porém consciente que quando fosse desvendado a sua cova seria coberta de terra em algum cemitério clandestino. O Blogueiro pode fechar os olhos durante uma noite, mas acordando em intervalos frequentes, evocando todas as pancadas, o gosto de fezes, o fluxo da eletricidade que queimava seus órgãos internos que a Joint Venture do Estado com a Iniciativa Privada, uma espécia de PPP - Parceria Público Privada da Tortura - Infligia-lhe na Oculta Estrutura do Hades da Policia Política - DOI-CODI...




Não tinha amanhecido - os algozes abriram a cela e logo foram chutando o corpo esmaecido de Malatesla, estirado no concreto frio. Agarraram-lhe pelos braços e jogaram sua cabeça contra o concreto cru. O sangue jorrou pelo couro cabeludo até a face, escorreu por todo corpo, mas em meio a dor e aos gritos intimidadores dos verdugos, estava ciente do seu fim:
-Seu Aprendiz de Assange você vai para o inferno...
-Vamos te estrebuchar e jogar no mar do Uruguai para os tubarões. E mesmo que chegue algum resto do seu corpo a costa do país vizinho, não será encontrada nenhuma informação que possa levar a sua identidade, ficará desaparecido Ad Eternum...




Malatesla pagou o preço de acreditar no que está escrito nas Constituições, na propalada Liberdade de Expressão, nas tão badaladas Liberdades Individuais que as Democracias Ocidentais ostentam como o Fulcro da Civilização; mas nas masmorras dos carrascos do Poder Econômico sentiu na carne a hipocrisia do Sistema iniciado com os Gregos e desabrochado com os Americanos e Europeus a todos que ousam contestar algum um interesse escuso do Status Quo...
















Uma planta quebrada pela gravidade pode tornar-se um pequeno tratado sobre o universo.

A haste torta, dobrada pela ação mecânica de algum objeto — talvez um carro, talvez um pé apressado — revela uma tensão fundamental da natureza: a gravidade que puxa tudo para baixo e a energia biológica que insiste em subir

A seiva, alimentada pela radiação solar e pelos nutrientes do solo, torna-se um gesto silencioso de resistência.

Mesmo depois de beijar a sarjeta que separa o asfalto da calçada, a planta lentamente se reergue. Volta a procurar o céu cerúleo. Não por vontade, mas por uma determinação inscrita nas leis físicas e químicas da vida.

Esse pequeno fenômeno cotidiano ecoa questões cosmológicas maiores.

A física moderna tenta reconciliar duas descrições do universo: a gravitação de Newton e a relatividade de Einstein. Em algum ponto ainda desconhecido, talvez essas duas estruturas conceituais encontrem uma síntese completa. Se isso ocorrer, poderemos compreender melhor o destino final do cosmos.

Algumas hipóteses sugerem um colapso universal — o chamado Big Crunch — no qual a expansão do universo cessaria e toda a matéria voltaria a convergir. Um novo universo poderia emergir desse colapso, repetindo ciclos cósmicos cuja duração está muito além da escala humana.

Enquanto essas especulações se desenrolam nos confins da cosmologia, uma planta cresce ao lado de uma sarjeta.

Ao redor dela passam pedestres distraídos. Caminham sobre um solo empobrecido por cimento, resíduos e dejetos — o ambiente urbano produzido pelo chamado progresso econômico, celebrado pelas listas de riqueza publicadas pela Forbes.

A classe média, muitas vezes, imagina-se próxima da elite econômica. Essa identificação simbólica mascara uma estrutura social muito mais rígida e desigual.

Nesse cenário, a pequena planta que se ergue novamente torna-se uma metáfora inesperada.

Ela ignora a hierarquia social, as listas de milionários e os delírios de grandeza humanos. Responde apenas à luz, à água e à química do solo.

Talvez exista mais dignidade nesse gesto silencioso de crescimento do que em toda a retórica do progresso.






A planta quebrada pela gravidade, mas triunfante pela energia dentro da seiva - Sol & terra - ela venceu... Sabemos que a lei confluente de Newton y Einstein será vencedora no final. O big crunch, no seu colapso, nos dará um novo universo e assim de tempos em tempos que não temos precisão - a seta do tempo retorna e entorna a realidade. A planta está lá, foi quebrada por algum objeto, homem, carro, etc... mas não se entregou, o sol lhe deu energia para subir novamente em direção ao ceruleo, com ajuda fundamental da alimentação do substrato. Ela continua verde, perpendicular em relação ao solo depois de ter beijado a sargeta que separa a a manta asfaltica, dos pedestres ingenuos que sorriem, apesar da calamidade que não enxergam, num solo pobre de cimento e dejetos humanos, ou seja, o progresso dos listados na forbes. A planta vencedora da gravidade dos homens impuros merece um ode, pela sua poesia de estar ali, enfrentando o cotidiano ignobil humano. Solas a fazem sentir todo dia a vibração entre a calçada e o sapato. A classe media se regogiza, pensa que faz parte da classe dominante, pobre esgoto... A existência lhe passa desapercebida, pois o mais importante é ficar rica, milionária. São os ratos que escaparam do navio, boiando numa taboa carcomida, podre que nem os ratos dariam sua dignidade em troca de migalhas tão mioseraveis....

domingo, 8 de março de 2026



ENTRELAÇAMENTO QUANTICO & FOLHAS SECAS




As folhas esmaecidas, em sua silenciosidade, caem sobre o manto asfáltico antiecológico, construído — ou desconstruído — pelos humanos. Fico a jogar arroz integral para os pombos; sou o último Nikola Tesla incompreendido, traído pela selvageria da ganância. A amizade com os animais “irracionais” me deixa mais próximo do que Heidegger procurava: a essência do ser. Contudo ele se aproximou do nazismo...

Vejo os carros rasgarem o asfalto em alta velocidade. Quanta irracionalidade, apesar de serem Homo sapiens. Já abri várias latas de cerveja sentado na mureta implacável do posto e a loja de conveniência da hidrocabureta Schell, e a vida continua inerte ao ser que tenta emergir das profundezas dos coacervatos — até mesmo das poeiras que construíram o universo após o Big Bang.

E os pombos, com suas cores padrão, alimentam-se do arroz que joguei em homenagem à paz destruída pelo insano capitalismo na procura do deus money. A voz aguda dos evangélicos e a grave dos católicos me afastam da religião. Prefiro as palavras de Espinosa: a natureza é Deus, e Deus é a natureza. y Richard Feynman com sua genialidade - não conseguiu nos dar um mundo mais aprazível...


Sou um ateu convicto — sem temor, sem culpa — apenas vivendo a consagração do universo que não compreendemos. Ainda assim, especulo sobre o entrelaçamento quântico, sobre as constantes aparentemente inquestionáveis dos multiversos, sobre o grito agudo de alguma criança — talvez um eco no vagido primordial do Big Bang.

My friend, a cerveja ainda está gelada, a porca está gorda, a galinha põe ovos e as plantas nascem quando semeadas — ou mesmo quando não.

Nunca enxergaremos o lado oculto da Lua como ela realmente é para si mesma. Há uma sincronicidade entre sua rotação e sua órbita em torno da Terra. Um mito persistente afirma que a Lua não gira; na verdade, ela gira exatamente na mesma velocidade de sua órbita — um caso especial de acoplamento de maré chamado rotação síncrona.

Mas ainda estou sentado na mureta. Já não tenho preconceito contra nada. Fui invadido por pensamentos alienígenas. Quero apenas estar perto daquilo que originou a vida.




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