Hoje tomei um chá estranhamente metafórico, transcendente, quântico. Caminhava pelo boulevard de cores soltas, emergindo dos objetos; talvez estivesse num mundo paralelo. Surgiu, num dado momento, um letreiro que piscava dentro do meu cérebro. Estava escrito: Acesso negado; depois mudava para Not found, Erro 404 — A realidade não foi encontrada, agora você está imerso na teoria das cordas de acordes mágicos.
Os elétrons, como um tapete, sustentavam meus pés que caíam sem parar no espaço curvo de Einstein. Num Kairós, apareceu um gato persa sem boca e nariz, fazia sinais de uma linguagem corporal que eu não conseguia entender. Também surgiu uma morena que assombrava meus sonhos. Ela vestia uma longa capa de bismuto que brilhava, encobrindo a chuva de fótons irradiados por estrelas ocultas no manto negro da matéria escura. Ela jogou seus olhos oblíquos e, com uma voz melosa, disse:
— Quero o prazer bruto dos sentidos. Minha incompreensão é mais útil neste mundo estranho em que penetraste do que a sua perspicácia aqui.
Logo, ela me envolveu em seus braços mornos e me levou para um riacho radioativo. Deitamos na grama ao redor e ela apontou para o céu sem estrelas, sem luz e sem sons. Falou que era uma selvagem nascida antes do Big Bang. Seus lábios de hematita colaram suavemente nos meus; as estrelas começaram a brilhar no céu breu, suas unhas de estalactite rasgaram minhas subpartículas carnais e uma vertigem tomou nossos corpos entumecidos de feromônios. Perdi totalmente a noção de qualquer coisa. Dormi um sono profundo, sem sonhos. Acordei sobre um lençol de oitocentos fios de algodão egípcio, com a cabeça descansando num travesseiro de penas de gansas do Canadá...















