terça-feira, 21 de julho de 2026




TRIBUTO A BERKELEY
OU
EMPIRISMO EMPERRADO






O Labirinto Neuronal: Como a Nossa Biologia Aprisiona o Infinito


Empirismo de Lixo e Álcool: A Estética Trágica da Consciência Subtropical


O que vejo não é o que vejo. Aliás, o que sinto não é o que sinto. O que penso são ideias, mas eu não existo como objeto metafísico, cartesiano. Dou suporte a pensamentos que não são percepções ordenadas oriundas dos sentidos. Não creio que haja uma realidade que os modelos dos meus pensamentos possam representar fielmente. As vivências que percebo são aprisionadas pela complexidade cerebral. Resumindo: Aquiles nunca alcançará a tartaruga...
Levei o mundo para dentro de minha casa neuronal, mas o mundo não cabe; fica sempre incompleto (apesar de a incompletude suportar o infinito). As percepções reivindicam o conhecimento, pois não há conhecimento sem primeiro ter havido percepção. O pensamento é percebido; uma vez percebido, pode ser manipulado pelo fluxo de ordem que entra pelas portas da percepção (The Doors of Perception – Aldous Huxley). Porém, tudo isto é ficção. O que acontece, com efeito, é: só posso crer na ordem com que o mundo entra pelos sentidos — ir além disso é querer transcender para o nada, é querer imaginar o fim do infinito, acreditar em Deus. Mas, como disse Wittgenstein no seu sétimo aforismo do Tractatus: "Sobre aquilo que não se pode falar, deve-se calar".

FILOSOFIA DE ALUCINAÇÃO
I
Estar sentado, escrevendo sem direção, até sem propósito, sem sentido em meio a questionamentos existenciais, a pensamentos a partir dos coacervados até chegar à complexidade neuronal do Homo sapiens sapiens. Mas o que quero dizer neste sítio localizado nestes subtropicais da América do Sul, sem relação com o mundo formal, senão com o mundo etílico que faz parte da minha existência há longo tempo? Escrevendo e pensando, mas sem nenhuma utilidade para a sociedade capitalista, apenas metralhando teclas, manipulando canetas em papel em branco achado no lixo. Tentando sentir a forma como a corrente elétrica se manifesta no meu corpo biológico, observando os fótons explodirem na superfície do que a linguagem e a semântica designam objeto.


A Prisão da Percepção: Do Tecido do Cosmos ao Labirinto Neuronal
Se no horizonte macrocósmico de Einstein e Nietzsche nós inventamos deuses e códigos morais para domesticar a expansão do universo, no microcosmo da nossa existência o colapso é ainda mais íntimo. A nossa neurose por absolutos não nasce nas estrelas, mas sim no confinamento da nossa própria biologia. Queremos organizar o espaço-tempo lá fora porque somos incapazes de gerenciar o caos que entra pelas portas da nossa percepção.
É o empirismo emperrado: levamos o cosmos para dentro de uma casa neuronal que é pequena demais para ele. Ao tentarmos traduzir o infinito através de fótons que explodem na retina e correntes elétricas que cruzam a carne, percebemos a grande ficção da consciência. Não há um "eu" cartesiano ou um objeto absoluto a ser descoberto; há apenas uma mente selvagem e isolada nos subtropicais do mundo, metralhando teclas ou riscando papéis achados no lixo. No fim, a tentativa de alcançar a verdade pura é o paradoxo de Aquiles e a tartaruga — corremos em direção ao real, mas ficamos presos na nossa própria complexidade cerebral. Diante do infinito que não cabe no crânio, a transcendência se torna um delírio antropomórfico, e a única honestidade que nos resta é o silêncio de Wittgenstein.








O Deus de Einstein e a Neurose Humana: Por Que Criamos Absolutos Para Fugir do Caos?



DEUS DE EINSTEIN

Na realidade, Einstein era um grande hipócrita; não queria dizer que era ateu quando, na verdade, acreditava num deus da física, antiteológico, o único absoluto em que acreditava >>> a velocidade da luz...

SER AUTÊNTICO

Devemos ter consciência de nossa duração do delta da existência; assim, seríamos o ser autêntico de Heidegger, com menos neurose, com menos preconceitos e tal...


O DEUS DE EINSTEIN II

O teólogo Einstein só divulgou sua teoria da relatividade porque acreditava num universo estático e com referencial em Deus >>> a velocidade da luz, a única coisa absoluta em que ele tinha fé:
a) O universo está em expansão e sua própria teoria indicava isso...
b) Que Deus só existe se considerarmos a teoria dos objetos de Meinong...
Com efeito, somente uma mente selvagem para tentar explicar o universo >>> deveríamos ser humildes como Popper e Hume e assumir nossa ignorância antropomórfica...


MUNDO PIAGET

A ideia do conceito de unicórnio, centauro, enfim, conceitos que não encontramos no mundo natural, material dos sentidos, disponível ao homem, são, na realidade, ideias e conceitos elaborados pelo senso comum de complexidades, construídos dialeticamente em um determinado ciclo evolutivo mental que, mais adiante, pode ser transformado em mundo concreto: o mundo é Piaget em todos os sentidos, a construção é livre...

MAIS UMA VEZ NIETZSCHE

Nietzsche, em certo sentido, tinha razão; o que adianta este imbróglio de leis, esta teia de morais, teologias, idealismos piegas? Se compararmos com os tempos trágicos, primitivos, ainda — e talvez em maior grau — padecemos dos mesmos sofrimentos...



O Tecido Comum: Costurando as Pontas no Espaço-Tempo
À primeira vista, o ateísmo disfarçado de Einstein, o delta existencial de Heidegger, o construtivismo de Piaget e a tragédia moral de Nietzsche parecem órbitas distantes. Não são. Eles colidem e se fundem na mesma teia: a incapacidade humana de aceitar o vazio e a impermanência do espaço-tempo.
O erro de Einstein foi o mesmo erro de toda a nossa civilização. Ao forçar uma constante cosmológica para desenhar um universo estático, o físico operou sob a mesma neurose que Nietzsche denunciou: o pavor do caos dinâmico. O homem cria deuses na física, teologias na religião e amarras na moral porque não suporta a vertigem da expansão contínua. Queremos um referencial absoluto — seja a velocidade da luz ou um código de leis — porque temos medo do nosso próprio delta, o intervalo finito e minúsculo que Heidegger chamou de existência autêntica.
É aí que o "Mundo Piaget" se revela a ferramenta definitiva de sobrevivência. Diante da nossa gritante ignorância antropomórfica, isolados em um universo que não compreendemos (como bem sabiam Hume e Popper), nossa mente evolui dialeticamente para povoar o vácuo. Se o espaço-tempo é indiferente e a dor primitiva permanece a mesma, nossa consciência reage criando livremente: inventamos centauros, teorias científicas e conceitos abstratos de Meinong. O mundo se torna concreto porque nós o construímos para não enlouquecer.
Amarrar essas pontas é assumir a nossa dupla condição: somos os animais trágicos de Nietzsche que padecem das mesmas dores primitivas, mas somos também os observadores de Einstein, cuja mente é capaz de curvar o próprio tecido da realidade através da imaginação e do conhecimento. O universo se expande lá fora, mas a verdadeira construção acontece aqui dentro.

Einstein tentou fixar o universo para encontrar Deus; esqueceu-se de que o único Deus possível é a própria mente humana que o inventa para não desabar no caos.



segunda-feira, 20 de julho de 2026


Da Ilusão do Poder à Mente Selvagem: A Desconstrução dos Absolutos - Maxikoans




Poderíamos, porventura, aprisionar novamente o tempo psicológico, mantendo a relatividade restrita à ilusão dos sentidos — tal como o espaço e o tempo kantianos. Afinal, não podemos compactuar impunemente com a ideia de que os sentidos, isoladamente, nos tragam uma realidade passível de hermenêutica. Com efeito, comportamo-nos como sofistas enquanto nossos argumentos não influem em alguma forma de poder; qualquer discurso só será considerado válido quando o status do poder institucionalizado o adotar e o legitimar.
Essa busca humana por um esteio absoluto reflete-se mesmo nos ícones da ciência. Na realidade, Albert Einstein agiu com certa hipocrisia ao mitigar seu ateísmo: ele não queria admitir sua descrença convicta, quando, verdadeiramente, acreditava em um "deus da física", de caráter antiteológico. O único absoluto em que ele depositava sua fé era a velocidade da luz. Esse Einstein teólogo só divulgou sua Teoria da Relatividade porque acreditava piamente em um universo estático, cujo referencial supremo residia nesse deus-luz, a única constante que sua fé sustentava.
Einstein insistiu nessa visão mesmo quando a física apontava para direções opostas. Primeiramente, o universo está em expansão, e a sua própria teoria indicava esse movimento (o qual ele tentou anular). Em segundo lugar, um deus nesses moldes só ganha contornos de existência se considerarmos a Teoria dos Objetos de Meinong, habitando o plano dos objetos que possuem significado lógico, mas carecem de existência real.
Para romper com esses absolutos artificiais, precisamos recorrer a Heidegger e alcançar o ser autêntico. Devemos tomar plena consciência de nossa própria duração, do limitado delta da nossa existência. Ao assimilarmos nossa finitude, emergiríamos como seres autênticos, despidos de neuroses acumuladas e livres de preconceitos banais. Afinal, é preciso uma mente selvagem e arrogante para tentar explicar a totalidade do universo através de rédeas humanas. Deveríamos, em vez disso, exercer a humildade epistemológica de Karl Popper e David Hume, assumindo de uma vez por todas a nossa profunda ignorância antropomórfica.






O Epifenômeno Face à Força Bruta: A Ilusão Antropomórfica e a Transfiguração do Sentido




A jornada humana pelo cosmos revela-se, fundamentalmente, terrível. Diante de nossa própria duração e da mentira que fomos forçados a impor aos nossos instintos, sentimo-nos compelidos a nos perpetuar neste planeta inseguro. Fazemo-lo sob a égide de um ser superior do qual seríamos descendentes e uma imagem imperfeita - nos moldes da tradição de Platão. Quanta mentira foi necessária para encobrir as forças originárias da primitividade na expansão do universo! Quantas formalidades foram erguidas para explicar a força bruta e ardilosa que mantém o cosmos sob o seu domínio.
Não restou outra saída para este amontoado de moléculas que produziu o epifenômeno da consciência - uma ocorrência restrita ao sistema solar e, talvez, única no universo por sua simplicidade. Afinal, iludimo-nos ao acreditar que o ínfimo é complexo e que a imensidão infinita do universo é simples. Diante dessa vastidão e da necessidade de redefinir o nosso papel, faz-se necessário revigorar Descartes: o mais importante não é o que faço ou o que digo, mas sim o que penso. O império do pensamento é a nossa única certeza incontestável.
É através desse pensamento que alcançamos o holismo. Cada reflexão de cada homem contribui para o que chamamos de humanidade, a qual, por sua vez, mantém uma relação de interação passiva com o universo. A consciência humana totalizada no conjunto dos homens contém informações de movimento, espaço, energia e matéria infinitamente conexas e auxiliares. Essa orientação é determinada pela aleatoriedade decorrente do nosso não conhecimento de leis antropomórficas para explicá-las e descrevê-las. No entanto, um dia descobriremos que o antropomorfismo é a única e verdadeira falácia do universo.
Liberto dessa ilusão egocêntrica, o pensamento já não opera por figurações, mas sim por transfigurações. Os argumentos transformam-se em metafiguras, situando-se além e aquém do sentido original emitido. A metafigura projeta-se e, ao mesmo tempo, abre-se para o infinito. Aproximamo-nos, assim, do pensamento do segundo Wittgenstein e de sua flexibilidade para uma linguagem menos preconceituosa, onde os limites do mundo se expandem na mesma medida em que aceitamos a fluidez do sentido.







 

A Anatomia do Método: Notas sobre a Etimologia do Maxikoan





Para que o leitor não se perca no labirinto do Universo sem Tempo, faz-se necessário desarmar o signo e compreender a arquitetura precisa que sustenta o vocábulo Maxikoan. Longe de ser um neologismo fortuito, a palavra é um organismo conceitual tripartido, cuja gênese etimológica funde a precisão da matemática elementar ao abismo da mística oriental.
O termo abre-se com o prefixo Max, redução cirúrgica do vocábulo máximo. Evoca, destarte, o supremo, o sumo, a magnitude levada à sua última potência. É o indicador de escala que adverte que os paradoxos aqui tratados não se limitam às contradições cotidianas da linguagem, mas operam na imensidão monumental de um googolplex ou de um Número de Graham.
No centro exato da palavra, repousa a partícula i. Trata-se do número imaginário da matemática ocidental, a raiz quadrada de um número negativo que desafia a aritmética tradicional. Aqui, o i assume seu papel ontológico mais profundo: ele representa a indeterminação pura, a não existência no sentido estrito dos sentidos humanos. É o terceiro incluído, a ferramenta abstrata que permite operar o invisível e validar o que a razão instrumental tenta descartar como impossível.
Por fim, o constructo deságua no Koan, o clássico instrumento do Budismo Zen. O koan é a narrativa, o diálogo ou a afirmação paradoxal que serve como um aríete contra as portas da lógica formal, contendo em seu cerne aspectos que são absolutamente inacessíveis à razão ordinária.
Ao soldar essas três forças, o Maxikoan revela sua verdadeira identidade: é o paradoxo supremo, mediado pelo número imaginário da não existência, projetado para implodir as amarras do pensamento rígido e forçar o Dasein a contemplar o infinito.





domingo, 19 de julho de 2026

 

MAXIKOANS DESAFIANTES


Os maxikoans são contraintuitivos: pegam o reducionismo racional e o aplicam a uma potência, a uma elevação, ao caos infinito e indeterminado >>> Ele desmancha a demonstração e torna ambígua a lógica, e derretida a matemática. Destarte, procura entender o mundo, o universo e o homem por uma intuição contraintuitiva, por uma razão irracional >>> Resumindo para ampliar ao máximo: o maxikoan é a unidade infinita para desvendar todas as metafísicas e todo ser abstrato que se esconde no seio das matemáticas, das lógicas e assemelhados...


POESIA INCIDENTAL

Ergo o cálice, cárneo, o rubente vinho na contraluz numa tarde inútil de um dia qualquer na impossibilidade do tempo. Mergulho no abismo da existência, no caos do que chamamos consciência; o vinho amargo e gelado escorre pela garganta que engoliu o tempo >>> O abismo sedutor me chama para uma conversa informal. Minha mente se tornou selvagem, refratária, depois que descobriu que tudo não passa de antropomorfismo. Resolvi ser um poeta do nada: ergo ícones do abstrato absoluto, comungo o interior dos átomos, aprofundo os princípios e os fins da incerteza >>> Às vezes penso que morri, mas morrer não é viver? Diálogos e mais diálogos solipsistas. Me tornei um Kant que expurgou os sentidos; sou Berkeley e só sinto o que percebo. Os pássaros do hemisfério Sul, nesta primavera sem tempo, cantam suas poesias, seus tons, seus feromônios, seus instintos, sem se preocuparem com as leis antropomórficas. Mas que tempos sem tempo! Não sei se penso ou se sou influenciado pelo meio; confesso que sou contraditório, paradoxal, às vezes infernalmente aporético. Quiçá eu queira entrar no tempo — no tempo dos pré-socráticos, na utópica tragédia de Nietzsche. Mas, enquanto vivo no tempo sem tempo, vou construindo com muita malemolência meus maxikoans no tempo sem tempo, que não tem lugar para Einstein nem Newton...

O QUE OS FÍSICOS NÃO PERCEBEM

E = mc² >>> Às vezes, o que os sentidos nos mostram com uma clarividência monstra, os neurônios que sustentam o epifenômeno não conseguem compreender, pois vem de uma forma incontestável, equifrequente >>> Percebam que a equação de Einstein nos diz, de forma evidente, que temos um estado da matéria ao qual ainda não atribuímos tal denominação. Ora, meus caros físicos e leigos >>> A luz é um estado da matéria, o quinto de uma sequência infinita...




 



sábado, 18 de julho de 2026


MAXIKOANS



É o passo adiante do paradoxo; é uma dialética infinita que aceita argumentos baculinos para, logo em seguida, negá-los e afirmá-los numa sucessão infinita de aporias e razões intermináveis. É o mundo das ideias platônicas assumidas e replicadas ao infinito, mas sabedor da impossibilidade da experiência — ou quem sabe, depois da teoria das cordas e da física quântica, tudo seja possível na impossibilidade da possibilidade, e assim replicada e implicada até o infinito...
O maxikoan é o antídoto para o preconceito, pois ele não prevê o absoluto, não define o que o individual determina como verdadeiro >>> Ele simplesmente abre todos os ferrolhos da certeza para que o infinito se introduza na determinação da incerteza. A relatividade assume o absoluto e o deixa passear perplexo pelos ínvios e métodos maxikonianos >>> Onde a imaginação e suas possibilidades podem chegar sem nunca terem chegado, e onde tudo o que foi afirmado e negado se inverte nos polos infinitos dos epifenômenos imanentes que dão suporte a um kantianismo empoeirado pela estrada de barro seco do pragmatismo lógico ou bergsoniano...

PARÁBOLA DO MAXIKOAN

O matemático Cantor quis dominar o infinito, ensacá-lo na teoria dos conjuntos; usou a razão para explicar o irracional, o que é um paradoxo dentro das ciências lógicas. Acabou empacotado pelo infinito das possibilidades; a irracionalidade e a loucura o prenderam no infinito das possibilidades >>> A determinação do infinito leva ao portal da indefinição dos pensamentos-objetos.







sexta-feira, 17 de julho de 2026



MUNDO HERACLITIANO



O princípio do terceiro incluído é uma transição contínua, uma palingenesia grávida de mais de um óvulo e mais de um espermatozoide; é um mundo heraclitiano >>> Considerando que a água evapora e cai como chuva na nascente do leito fluvial e refaz o caminho, mas com um agravante paradoxal >>> O espaço e o tempo nunca são os mesmos, ou as consequências que disso derivam para a formalização de uma ciência determinista...

O PRINCÍPIO DO TERCEIRO PRENHE

Talvez fosse melhor uma nova nomenclatura para o princípio do terceiro incluído. Quem sabe não ficaria melhor e mais original: >>> O princípio do terceiro-prenhe... Ou seja, a síntese da dialética dando à luz e, ao mesmo tempo, gestando...

MAXIKOANS

A indefinição é definida pela razão. Um googolplex elevado a um googolplex [2, 3] que, por sua vez, é elevado a um Graham é a típica representação da unidade simples dos maxikoans. A razão não passa de forças instintivas mediadas, adaptadas por uma força vencedora e assimiladora, ou simplesmente uma simbiose de forças do instinto (nietzschiana)...






POESIA CONCRETA NO ABSTRATO



Ouço eternamente os sabiás no extremo Sul do Brasil. Eles emitem ondas numa das estações de Vivaldi - vida interpretada em partituras e reinterpretada em notas musicais dos instrumentos >>> Porém, estou perdido na existência; contudo, isto é natural na relatividade do nada do ser no tempo >>> Perco a paciência, a tolerância, quando tento racionalizar o mundo e vejo a irracionalidade inextrincável. Por enquanto, vou levando a cruz que não reconheço. Estamos presos ao invólucro moral-repressor-direito que se apropria da palavra verdade para tiranizar o pensamento e o comportamento dos livres-determinismos. Oxalá existisse um mundo, ou melhor, um lugar esquecido pelos homens em que se possa viver, apenas existir no mais puro fluxo do ser antes de ter >>> Existo no mundo utópico da liberdade de pensar ou me iludo que o que penso é intencional do sujeito? Mas tenho bastantes indícios, quase demonstração experimental, que o pensamento é governado pelo exterior; basta conhecer a essência humana para saber que a utopia não existe em lugar nenhum. Portanto, criem suas utopias subjetivas ou procurem um lugar livre, ermo, sem homens inautênticos e angustiados com o ter...

PORTENTOSO IRRACIONAL


O homem está alienado na técnica >>> A cibernética pode se tornar sua linguagem, os seus procedimentos são de acordo com a mecânica dos objetos técnicos. O ser desapareceu no cenário pós-moderno, tornou-se um ter mecânico, uma sociedade mecânica, um behaviorismo-mecânico ao extremo que recebe seus estímulos da linguagem mercadológica-consumista, reagindo como um autômato subserviente de uma rede de símbolos técnicos-propagandistas-superficiais...
O princípio do terceiro incluído abre as portas do infinito, dos transfinitos e o infinito imanente antropomórfico que suporta todos os outros de forma epifenomenal...

TANTO TÂNTALO

Não conseguimos sair do eterno retorno, da palingenesia; pelo contrário, precisamos afirmá-lo, adotando-o sem medo para uma liberdade da consciência-senhor...
O homem saiu da impossibilidade do controle do objeto pelo instinto para a possibilidade do controle do objeto na indeterminação da razão na sua determinação formal...

DESTRUINDO DEUS

O conceito Deus não tem nada a ver com o imanente e o transcendente (Espinosa X Teologia), com a criação do universo e do homem; sua utilidade é legitimar poderes, propriedade, amansar relações de desigualdades...




quarta-feira, 15 de julho de 2026



CONSAGRAÇÃO A MEINONG





A impossibilidade de excluir o terceiro, pois entre o existente e o não existente aparece o terceiro excluído das filosofias tradicionais, acadêmicas, formais >>> mas o método maxikoan assevera, afirma que o não existente é uma forma do existente. Então se funde o existente e o não existente, ou considera-se uma terceira possibilidade: a existência da não existência imbuída na existência do epifenômeno. O pensamento é uma floresta densa, inexplorada; podemos dizer que a mente selvagem de Meinong abrigava esta existência do não existente — seu quadrado redondo de fato pode existir em algum lugar do espaço-tempo, no tempo sem espaço e no espaço sem tempo. Podemos buscar no passado exemplos de coisas que pareciam absurdas, ditas por pessoas consideradas loucas, possuídas por demônios, hereges, e assim vai a lista de atributos a quem pensava diferente do status vigente: Giordano Bruno, Copérnico, Galileu, Newton, Einstein e, assim sucessivamente, teorias vão se sobrepondo ao que antes era tido como produto final da razão...

PRINCÍPIO DO TERCEIRO INCLUÍDO

Olhamos a história do conhecimento humano e vemos sempre a dicotomia sujeito-objeto. Olhamos para a lógica tradicional e nosso ramerrão interminável e sempre temos que escolher entre duas opções: ou isso ou aquilo. Porém, esquecemos o mais importante >>> o campo de atualizações, o campo em que o Dasein atua e é atuado >>> o campo que comporta o sujeito, o objeto e o terceiro excluído. Assim como na corrente elétrica que vai de um ponto ao outro é criado um campo magnético — o resultado do fluxo de energia —, o homem, em sua ação sobre o objeto, tem que passar pelo campo de atualização, o que passa despercebido pelas suas áreas específicas de epistemologia. Isto chamamos de esquecimento do princípio do terceiro incluído, o não considerado como integrante de uma resposta a uma proposição que busca seu resultado na dualidade do verdadeiro e falso; desconsidera-se o campo do terceiro incluído, onde as possibilidades são infinitas e mesmo o contraditório é possível. Poderíamos dizer que a vontade de potência de Nietzsche está localizada ali, abraçada em Dionísio, na tragédia afirmativa de que o destino comporta a afirmação da existência inclusive no sofrimento — pois o sofrer do bem e do mal estão inseridos no campo do além do bem e do mal, na possibilidade do infinito, suportando a extinção do antropomorfismo, a extinção da humanidade...






terça-feira, 14 de julho de 2026



E O FLUXO CONTINUA....





Hoje foi uma tarde diferente, meu cérebro trabalhou no sentido de avivar a memória. Ouvi músicas retroativas à existência adquirida na experiência do que chamamos tempo >>> Billie Holiday extraindo essência da sua alma (perdão pelo termo), extrai um suco do que chamamos inefável, o que não podemos expressar por conceitos >>> que por palavras não podemos expressar (um dos protocolos de Wittgenstein). Mas todo este esforço de evocação carrega de contrabando o nada, isto mesmo, traz no seu ventre o niilismo. Estou no nada, nada mais importa quando o vácuo existencial se faz presente nos sentidos da física e da psicologia >>> porém, nada mais real que a existência sobrevivendo no vácuo do nada, no niilismo, invertendo Heidegger: — por que existe o nada de sentido e não o ser de sentido?.... Mais uma vez entramos nos protocolos de Wittgenstein >>> o que não podemos falar, devemos nos calar... Estamos duplamente impedidos, pois o ser não é e o nada é >>> estes paradoxos se anulam e se tornam o nada do nada >>> os contrários se soldam no infinito vácuo da existência, somos notas de músicas dedilhadas por um deus na teoria das cordas. Precisamos de uma oração do nada, uma escala de notas que permita o nada existir no ser, sem ser...

NIETZSCHE

Nietzsche não foi radical o suficiente para suportar a solidão de quem tem os pensamentos alpinos. Não assumia o nada da existência; seu niilismo era exotérico, escondia em seu cérebro a esperança de mudar os valores que no fundo refletia — que seus escritos fossem reconhecidos, o trouxessem de novo aos círculos sociais, aos braços do antigo amigo Wagner >>> Faltou-lhe, ou não quis admitir, que a existência é o nada, sendo o nada a condição para viver. Os budistas compreenderam isso e procuram se eternizar no nada. Pobre filósofo, se vivesse em nossos dias, teria os remédios de que tanto necessitava; hodiernamente, adquirimos os nadas embalados nas gôndolas dos supermercados, nos prazeres fugazes que o mercado oferece, nas farmacologias à disposição >>> sua solidão não teria mais sentido, pois o sentido da existência, o nada, seria preenchido pela sociedade do espetáculo, pela substituição do Deus cristão pelo deus mercado >>> ele não se sentiria sozinho...
Podemos dizer, no meu niilismo imanente, que a memória, sua evocação >>> é a experiência sem o objeto, da mesma forma que o objeto causa afetações no homem. Sua lembrança, o ato de memória, também é patológico, talvez de maneira mais suave >>> se bem que uma pessoa depressiva evocando memórias se tortura, se coloca abaixo da existência de outros, e parece que uma constelação de objetos positivos não interfere na sua existência depressiva...

VONTADE DO NADA
INCIDENTAL – MAXIKOANS

Um homem velho, maltrapilho, cheio de adjetivos pejorativos e preconceituosos mirava o gigante azul do fim do continente, no comoro açoitado pelo vento nordeste. A areia fina como ouro em pó voava e obnubilava sua visão, mas o importante era que seus pensamentos, seu cérebro, sabia exatamente a justificativa dos seus últimos momentos de solipsismo. Não havia nenhum espanto, nenhuma renúncia à vida; o fim da existência tinha sido planejado, elaborado por estudos filosóficos e científicos. Nenhum argumento, por mais racional ou irracional, o demoveria de passar seus últimos dias ali, inerte diante do oceano que molhava a selvagem costa da Sul-América. Quanta determinação havia sido inserida neste momento da existência! Quantas vezes abriu os livros de Nietzsche e leu: "— Deus está morto". Com esta simples frase, tinha construído uma teoria da não existência, da não existência de sentidos, e não haveria nenhuma metafísica ou alguma ciência açucarada, edulcorada, que lhe convencesse do contrário >>> o máximo que admitia era o epifenômeno, a energia sobre a matéria que causaria o que chamamos de pensamento, assim como o silício do computador deixa circular a energia, o cérebro de carbono suportaria a energia >>> o mar ecoava, o vento o castigava >>> os pensamentos mitigavam o sofrimento na pele, nos sentidos; não havia muito mais que isso, os sentidos, o resto eram ilusões para apaziguar o fel da existência...







E O FLUXO CONTINUA...


Era mais um dia, o ramerrão iria continuar, não pensava mais em perspectivas para o meu Dasein, apenas caminhando afundado em pensamentos mais altos e, contraditoriamente, mais profundos. Alguém interrompeu o meu devaneio: "— Oi! Que belo dia". Parei, então prestei atenção na luminosidade, no azul cerúleo, nos pássaros cantando como se a delícia se concretizasse em sua existência; certo, pensei, talvez tenha dramatizado a existência. Com efeito, o estado de coisas naturais dava um sentido benéfico, um bem-estar, porém minha existência estava separada, apartada do mundo dos homens e da natureza, apenas vivia para que os dias finais se encaminhassem de um modo ou de outro — pensava: deixe o fluxo do tempo-espaço passar, mas, enquanto isso, me ocuparia de alguma ideia démodé, fora das questões superficiais do homem atual. Não que desejasse alguma compensação, apenas, repito, deixar o fluxo do espaço-tempo fluir sem alterações; não que fosse um determinista, mas sentia o gosto da derrota, não pela semântica do nada, mas sim pelo colóquio desenfreado das percepções profundas...

MAIS FLUXO......

Cérebro >>> numa flutuação frenética, num fluxo sem consciência, sem sistema, sem método, apenas o caos emergindo dos princípios ativos de medicamentos aparentemente benéficos. A todo o momento um pensamento vem, associação à lá Hume, Nietzsche... ou melhor, suas leituras destruíram a razão em que acreditava, mas de que no íntimo do processo cerebral desconfiava: "foi bom ter lido o martelador da razão, pois sou um perdedor, simplesmente porque o homem está perdido desde o ventre materno, nasce com prazo de validade, não há muito o que fazer, talvez os hedonistas passem melhor o tempo do que os outros homens..."
No meu universo, no meu mundo nem as baratas se adaptam, pois elas sentem, farejam com suas antenas de super-sobreviventes a tragédia pairando no ar, a atmosfera metacrítica prestes a queimar a etapa da estabilidade, de estar na beira do precipício e dar o passo. Elas sabem que meu universo vai me esmagar, meus pensamentos vão me esmagar, talvez até espirre meu sangue vermelho, minhas veias, minha carne velha e maltratada: se elas permanecerem neste universo particular dos meus pensamentos, não sobreviverão, a dose é maior que a radiação da arma nuclear mais radical. Fujam, baratas, para seu esgoto confortável, seguro, estabilizado, durem mais não sei quantos bilhões de anos nesta mesmice, nesta mediocridade existencial >>> esperem pacientemente pelos restos do capitalismo, ele custuma ser generoso com suas migalhas aos que se resignam, aos que praticam a genuflexão diante do altar do mercado, que rezam orações de demandas e ofertas >>> Não: prefiro ser esmagado pela atmosfera, pela teoria da relatividade geral, ser curvado por um campo gravitacional, sumir na singularidade de um buraco negro, ou simplesmente pela segunda lei de Newton >>> mas sempre pensando numa utopia; que os homens comuns não encontrem suas necessidades criadas, seus medos disfarçados, suas loucuras da razão >>> não há nada para eles, nem migalhas — as baratas já sabem — não se assomem à minha porta infernal, aos meus inertes diabos que me consomem lentamente na linha de tempo, lá não há orações que salvem, métodos, caminhos, taos; deixem-me sozinho no meu universo compactador, na prensa cruel de meus pensamentos, dos fluxos cerebrais que não escorrem pela realidade... pois esta é minha versão kafkiana de como eu me sinto, de como é possível ter um mundo impenetrável que produz a forclusão até nas baratas metamorfósicas ou não...





segunda-feira, 13 de julho de 2026


UM TUDO
NUM NADA


Hoje, um dia X de um mês Y de um ano Z - é mais um dia cretino, antecedido por um ordálio tedesco >>> ontem a noite bebi vodka, cerveja, vinho em grande quantidade, em doses cavalares; depois numa gastronomia digna do hades >>> comi cebola, carne, salame italiano, pão congelado, alho e balas de todos os sabores e já ia me esquecendo, tomei varios medicamentos no varejo... inconscientemente fui vitima de um ordálio, se sobrevivesse a orgia-junkie-suicida seria inocente; podia me considerar expiado, purificado e integralmente inocente de qualquer crime ou ato prejudicial praticado contra outrem...

Mansamente, uma depressão, uma pressão tomou conta do meu cortex, um vazio se fez presente no ser; mas uma sublimação canalizada no ato de escrever me fez esquecer por alguns momentos as tremedeiras, os calafrios e a revolução estomacal e intestinal que se apoderava do meu corpo... a aurora rosea de Homero pictografada além da janela do meu quarto me deixou por alguns momentos numa contemplação mística, porém o sol logo inundou a peça, espalhando suas ondas-partículas por todos os objetos, dando formas definitivas... num determinado momento uma alucinação abordou meu cérebro, invadiu repentinamente, sentia-me um comedor de ópio, um personagem do livro Paraísos Artificiais de Baudelaire... já havia muito desistido de ser um monge tibetano, as montanhas, os seus cumes são inatingíveis e meu organico não combina com meditações, mantras, contemplações eternas de um ser superior...

Como já havia dito, era mais um dia cretino onde as relações humanas trariam prejuizos para muitos e lucros para poucos... afinal estamos numa sociedade capitalista, enquanto organização social permanecemos com o cérebro de reptil, ainda não usamos o cortex para as relações sociais-economicas....





TRIBUTO A BERKELEY OU EMPIRISMO EMPERRADO O Labirinto Neuronal: Como a Nossa Biologia Aprisiona o Infinito Empirismo de Lixo e Álcool: A Es...