De madrugadas sábias, depressões agudizadas e epifanias inesperadas...
Ainda estou aqui, contra todos e tudo. Mesmo que a meritocracia tenha me jogado na sarjeta da humanidade e nas deficiências do setor público, consegui me reerguer apoiado numa pilha de livros. Mas não tenho nada a comunicar a vossas senhorias, apenas dizer: o bem é cruel, num paralelismo que não conseguimos captar. Tudo transcorre normalmente na mente da classe média, que se acha digna de dar um "pulo do gato" rumo a um andar superior de corrupção.
Assim vou vivendo meus dias: com um pé no licor de jabuticaba e outro na cerveja. Estou alienado, no bom sentido. Nada mais me interessa na selva do deus mercado; apenas sobrevivo a pendências quase — e por que não dizer? — intransponíveis. Afinal, o finito é a consciência, que não sobreviverá quando as moléculas e os átomos tomarem seus caminhos universais. Só me dê um pouco de música boa e cerveja interessante antes de eu perder a consciência e virar matéria (inclusive a escura). Rolem os dados! Já não tenho ilusões. Paraísos perdidos nunca serão recuperados, pois nunca existiram, a não ser nas mentes que não conseguem dominar a "realidade" real daquilo que não podemos conhecer. Schopenhauer?
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