Da Rainha da Noite à Rainha do Ácido: De Tina Turner & Sopranos
"Esta é uma jornada de profanação e êxtase. Partimos do topo da erudição ocidental — onde a Rainha da Noite de Mozart chora sua fúria em agudos matemáticos — para despencar no submundo elétrico e lisérgico da Acid Queen de Tina Turner. Entre o teatro de ópera e o tribunal dos metadados, o que resta da nossa humanidade? Escute... e desça os degraus comigo."
A Rainha da Noite me persegue. Ela já foi a rainha dos ácidos. Amanhã teremos delirium extremus, e a soprano estará gritando na minha recepção auditiva. Talvez subamos os últimos degraus de uma tonitruante canção vinda do longínquo fundo cósmico e, assim, descobriremos o derradeiro segredo do universo; as sete chaves estarão penduradas no colar que cinge o meu pescoço. Nem um passo além, humanos! Ainda quero usufruir das taças de ambrósia servidas no Olimpo, antes que meu corpo seja incinerado. Não importa o que o rei Creonte decretou ou vai decretar, pois sou um hedonista na acepção mais xucra, ou seja: Antígona, deixe-me usufruir de todos os prazeres possíveis aos seres humanos! Não importa que a putrefação do corpo seja em cima da terra e os animais necrófagos me consumam, ou se os vermes por debaixo da terra — a origem de Adão — consumam o meu corpo. Não tenho mais estabilidade conceitual. A noite fria ou quente — Acid Queen — revelou os rios de existência que passam nas veias polutas, sobre agulhas e agruras que mudam realidades. Mas no fim geral, no relatório, são só metadados para uma nova estratégia contida num algoritmo de consumo e dominação...
Nenhum comentário:
Postar um comentário