quinta-feira, 8 de janeiro de 2026



INTRODUÇÃO AO DIÁRIO DO UNIVERSO SEM TEMPO



Ouço eternamente os sabiás no extremo sul do Brasil. Emitindo ondas como Vivaldi-vida, estou perdido na existência — o que é natural na relatividade do nada do ser.

Nietzsche inicia algumas de suas obras com uma advertência: seus escritos devem ser digeridos com estômago de bovino — precisam ser ruminados para que o leitor os compreenda. Minha advertência é outra: que haja flexibilidade neuronal, desconstrução de todos os parâmetros de mercado, culturais e formais.

Intuitivamente desenvolvi os maxikoans, um método cujo objetivo é desplasmar todo pensamento rígido, autocrático, fundado na autoridade. A intenção é que o ser se abra ao ser e se liberte do mercado, do capitalismo, da alienação que aprisiona o homem — ou seja lá como designamos essa manifestação de átomos, moléculas e subpartículas que se organizam ao acaso com o fim de existir e de ter consciência dessa existência: a mecânica do materialismo.

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PSICOLOGIA

Um behaviorismo que fazia o cotidiano se derreter numa loucura existencial de sentido vazio acompanhava minhas percepções infinitas sobre o nada. Isso ajudava a manter viva a existência, apesar de o nada se manifestar em cada célula do meu ser.

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Mais um dia pesado — mais um Dasein imerso na alienação obrigatória do capitalismo. Estou mergulhado numa libertação imanente e numa transcendência invertida, a caminho do Dasein de Heidegger, buscando o ser originário, uma metafísica que rompa este mundo ramerrão, que rasgue o tecido da tradição e deste jogo sem sentido, sem ciência do que fazemos automaticamente.

Não sei o que resta ao homem nesta curta duração. Certamente não esta vida inautêntica, em tempo integral, na busca incessante de objetivos alienados, reificados por um domínio que não pertence à motivação nem ao real do Dasein — do ser-aí-no-mundo.

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MUTAÇÃO INTRANSPONÍVEL

Sempre é difícil abrir um novo parágrafo. A existência transforma-se a cada instante, assim como o estado de coisas que entram pelos sentidos e são refletidos.

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INICIANDO O FLUXO DO UNIVERSO SEM TEMPO

Meu corpo — minha perna esquerda começava a ficar dormente. Já era a segunda noite sem dormir; apenas emendava frases pós-frases num fluxo tóxico que meu fígado começava a recusar. Minha forma corporal estava inchada. O tempo não existia fora da minha memória: tudo fluía unido — passado, presente e futuro. Pensava, sobretudo, em beber, em tomar um álcool consistente; entrementes, olhava pela janela solitária a movimentação do mormaço que atingia as folhas da minha companheira de viagem: um ligustro japonês de caule inerte, cujas folhas flutuavam no ar pesado do fim da América perdida.

Esquecido pela tecnologia escravizante, ouvia pássaros cantarem. Alguns carros rasgando a rua quebravam a contemplação positiva da totalidade da realidade que entrava pelos sentidos. Não, eu não estava alucinado nem louco; apenas obedecia à atmosfera da primavera.

Começamos a viver sem utopias e com realidades moldadas pelos interesses dos mais fortes. A adaptação darwiniana serve, muitas vezes, como ferramenta para que os fortes manipulem os fracos. A adaptação é, na verdade, modo de sobrevivência dos fracos: recorrem à religião, à autoajuda, às drogas “legais”, às banalidades oferecidas pelo capitalismo — ou, ainda, à negação de tudo isso por meio do álcool e das drogas ilícitas, para aqueles que renunciam a essa realidade de submissão aos contratos invisíveis da sociedade.

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E O FLUXO CONTINUA...

Era mais um dia. O ramerrão continuaria. Já não pensava em perspectivas para o meu Dasein; apenas caminhava afundado em pensamentos mais altos e, contraditoriamente, mais profundos. Alguém interrompeu meu devaneio: — Oi! Que belo dia.

Parei. Atentei para a luminosidade, o azul cerúleo, os pássaros cantando como se uma delícia se concretizasse em sua existência. Talvez, pensei, eu tenha dramatizado a existência. De fato, o estado de coisas naturais produzia um sentido benéfico, um bem-estar. Ainda assim, minha existência permanecia apartada do mundo dos homens e da natureza. Eu apenas vivia para que os dias finais se encaminhassem de um modo ou de outro.

Deixe o fluxo do espaço-tempo passar, pensava, e enquanto isso ocuparei-me de alguma ideia démodé, fora das questões superficiais do homem atual. Não buscava compensação alguma, apenas deixar fluir o espaço-tempo sem alterações. Não que eu fosse determinista, mas sentia o gosto da derrota — não pela semântica do nada, e sim pelo colóquio desenfreado das percepções profundas.

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MAIS FLUXO...

Cérebro em flutuação frenética: fluxo sem consciência, sem sistema, sem método — apenas o caos emergindo dos princípios ativos de medicamentos aparentemente benéficos. A todo momento um pensamento vinha, em associações à la Hume e Nietzsche. Melhor dizendo: suas leituras destruíram a razão na qual eu acreditava, mas da qual, no íntimo do processo cerebral, sempre desconfiei.

“Foi bom ter lido o martelador da razão”, pensei. Perdedor, talvez, porque o homem está perdido desde o ventre materno: nasce com prazo de validade. Não há muito o que fazer. Talvez os hedonistas passem melhor o tempo do que os outros homens.

No meu universo, nem as baratas se adaptam. Elas farejam, com suas antenas de super-sobreviventes, a tragédia pairando no ar. Sentem a atmosfera metacrítica prestes a queimar a etapa da estabilidade, à beira do precipício. Sabem que meu universo vai me esmagar; que meus pensamentos vão me esmagar. Talvez até respingue sangue, veias, carne velha e maltratada.

Se permanecerem neste universo particular dos meus pensamentos, não sobreviverão. A dose é maior que a radiação da arma nuclear mais radical. Fujam, baratas, para o esgoto confortável e seguro. Vivam mais alguns bilhões de anos nessa mesmice, nessa mediocridade existencial. Esperem pacientemente pelos restos do capitalismo: ele costuma ser generoso com suas migalhas àqueles que se resignam, que se ajoelham diante do altar do mercado, que rezam orações de demanda e oferta.

Eu, não. Prefiro ser esmagado pela atmosfera, curvado por um campo gravitacional, sumir na singularidade de um buraco negro ou simplesmente pela segunda lei de Newton — mas sempre pensando numa utopia. Que os homens comuns não encontrem suas necessidades fabricadas, seus medos disfarçados, suas loucuras da razão.

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E O FLUXO CONTINUA...

Hoje foi uma tarde diferente. Meu cérebro trabalhou no sentido de avivar a memória. Ouvi músicas retroativas à existência adquirida na experiência do que chamamos tempo. Billie Holiday extraía da alma — perdoe-se o termo — a essência do inefável, aquilo que não podemos expressar por conceitos. Como nos protocolos de Wittgenstein, do que não se pode falar, deve-se calar.

Mas todo esse esforço de evocação traz, de contrabando, o nada. Traz no ventre o niilismo. Nada mais importa quando o vácuo existencial se faz presente nos sentidos da física e da psicologia. Ainda assim, nada é mais real do que a existência sobrevivendo no vácuo do nada.

Invertendo Heidegger: por que existe o nada de sentido e não o ser de sentido?

Os paradoxos se anulam. O ser não é, o nada é. E desse conflito nasce o nada do nada. Os contrários se soldam no vácuo infinito da existência. Somos notas dedilhadas por um deus na teoria das cordas. Precisamos de uma oração do nada, de uma escala que permita ao nada existir no ser — sem ser.

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NIETZSCHE

Nietzsche talvez não tenha sido radical o suficiente para suportar a solidão dos pensamentos alpinos. Seu niilismo era, em certa medida, exotérico; ainda carregava a esperança de transvalorar os valores e ser reconhecido. Hoje, talvez tivesse à disposição os remédios que lhe faltaram. O nada, atualmente, vem embalado nas gôndolas dos supermercados, nos prazeres fugazes do mercado, na farmacologia abundante. A solidão perdeu o sentido, substituída pelo espetáculo.

Podemos dizer, no meu niilismo imanente, que a memória é a experiência sem o objeto. Sua evocação também é patológica, ainda que de forma mais suave. A pessoa depressiva, ao evocar memórias, tortura-se: uma constelação de objetos positivos não interfere em sua vivência do nada.

VONTADE DO NADA

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INCIDENTAL — MAXIKOANS

Um homem velho e maltrapilho, coberto de adjetivos pejorativos, fitava o gigante azul no fim do continente. No cômoro açoitado pelo vento nordeste, a areia fina como ouro em pó obnubilava sua visão. Seus pensamentos, contudo, sabiam exatamente a justificativa de seus últimos momentos de solipsismo.

Não havia espanto nem renúncia à vida. O fim fora planejado por estudos filosóficos e científicos. Nenhum argumento o demoveria de passar seus últimos dias inerte diante do oceano da costa sul-americana. Quantas vezes abrira Nietzsche para ler: “Deus está morto”. Com essa frase, construíra uma teoria da não existência do sentido.

O máximo que admitia era o epifenômeno: energia sobre a matéria, como no silício do computador, sustentada pelo carbono do cérebro. O mar ecoava, o vento castigava. Os sentidos eram tudo; o resto, ilusões para apaziguar o fel da existência.

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CONSAGRAÇÃO A MEINONG

A impossibilidade de excluir o terceiro. Entre o existente e o não existente, surge o terceiro excluído das filosofias tradicionais. O método maxikoan afirma: o não existente é uma forma do existente. Fundem-se, então, ser e não-ser, ou considera-se uma terceira possibilidade — a existência da não existência.

A mente é uma floresta densa. O quadrado redondo de Meinong pode existir em algum lugar do espaço-tempo, ou no tempo sem espaço, ou no espaço sem tempo. O que hoje parece absurdo já foi heresia: Bruno, Copérnico, Galileu, Newton, Einstein. Teorias sobrepõem-se, incessantemente.

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PRINCÍPIO DO TERCEIRO INCLUÍDO

A história do conhecimento humano é marcada pela dicotomia sujeito–objeto. Ou isto ou aquilo. Esquecemos o campo de atualização onde o Dasein atua e é atuado: o campo que comporta sujeito, objeto e o terceiro incluído. Assim como a corrente elétrica cria um campo magnético, a ação humana cria um campo ignorado pela epistemologia tradicional.

Nesse campo, as possibilidades são infinitas; até o contraditório é possível. Ali reside a vontade de potência de Nietzsche, afirmando a existência inclusive no sofrimento, além do bem e do mal, suportando até a extinção do antropomorfismo.

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POESIA CONCRETA NO ABSTRATO

Ouço eternamente os sabiás no extremo sul do Brasil. Emitindo ondas como Vivaldi-vida, estou perdido na existência — o que é natural na relatividade do nada do ser.
 

 O DRINK DE SATÃ






Uma garrafa de vinho vagabundo, uma garrafa de guaraná e gelo a vontade - ou como chamo: Drink de Satã. A ressaca é certa, provavelmente, não levantarei pela manhã. Tomarei ácido acetilsalicílico para amenizar a revolução figadal. Contudo, somando, diminuindo, equacionando, com todas propriedades fundamentais, o saldo é positivo. O resultado é uma felicidade existencial possível, fugaz, mas que permite o pensamento desviar do Thanatos. A felicidade existencial efêmera se diferencia da felicidade das ovelhas massificadas e imitadoras que seguem o padrão ditado pelo mercado, pela religião. Consumir e orar a isto se resume o homem padrão capitalista. Consumir por consumir e esquecer Thanatos. Orar para esquecer o pecado de consumir por consumir - Eis um circulo vicioso que não tem fim. O paraíso jamais chegará, as utopias se dissolveram na engrenagem alimentada pelo egoismo humano. Portanto não condenem a felicidade fugaz da alcoolemia.






O Drink de Satã é bebido para preencher o espaço-tempo quadridimensional e alavancar outras dimensões que são relatadas nos escritos. Aos poucos o álcool pandemônico vai chegando ao cérebro, invadindo os neurônios. Agora é o senhor da situação, causa pertubações em toda a rede de inspiração. A lógica sai prejudicada, mas existência invertida de Espinosa ganha a imanência do ser. O papel em branco aos poucos vai ganhando palavras em busca de semântica, a isto, chamo de Maxikoan, um projeto de descobrir as entranhas do ser, mesmo que para tal, o ser vai ser destruído. O cientista não difere do religioso, os dois precisam da crença para verem suas maquinas funcionarem. O axioma dá vida no laboratório e a medida que a tese resiste a novos experimentos, mais perto ela está de caducar. Já o religioso vai adaptando o seu dogma no tempo secular, a práxis se impõe, mas a vontade de fugir do thanatos faz da oração o eterno. As ilusões são a saída para o ser humano sublimar - arte, ciência, religião, mito, filosofia são farinhas do mesmo saco.








Heidegger tentou colocar o santo, o cientista, a dona de casa, o presidiário, etc.. dentro do involucro do Ser-Ai-No-Mundo. Esteve certo até ser descoberto o Drink do Satã que possibilita escapar do ser perseguido pela filosofia. Eu só sou porque não sou. Eu só sou homem porque não sou cavalo e só não sou o Daisen de Heidegger porque tomo o Drink de Satã. Então seres humanos comuns que aceitam a capa ideológica do escravismo conceitual e existencial, não fiquem perplexo diante meus escritos. Assim como a eternidade meu método sem método, ou seja, o Maxikoan, também é efêmero. A todos que querem sair do ramerrão do consumo, da oração, da ciência, da filosofia, da hermenêutica - Ofereço meus escritos para a cura definitiva.








 


O Existir é o Nada Composto





O existir é o nada composto

A eternidade é o nada simples

II

O que recebo pelos sentidos não encontro

no reflexo

No sentido imediato...

III

Estou preso ao passado

Nada Flui

O rio congelou

A redoma é eterna

Num amanhecer lúgubre 

III

A catadupa silenciou

Como o pássaro sem primavera

Como a loucura bêbada

Como a veneta tóxica



IV

Não existe mais o céu

As estrelas conspiraram

O sol dormiu nas mutações de Morpheu

Tudo agora é um breu fétido

V

Fiquei perdido nos pântanos de Dante

O último cometa se aproximou

Profecias de Nostradamus 
 

VI

As sagradas escrituras revelam o apocalipse

Na ceia um prato de lentilhas

&

A cabeça de São João Batista

em bandeja de Prata



VII

Em nome da rosa - O segredo

As gazuas soltaram os demônios

Dou os últimos suspiros

Aves de mau agouro gorjeiam:


Idus Martiae...  Idus Martiae... Idus Martiae..





VIII

O metal bruto atravessa meu manto romano

O sangue derrama todas as misérias

No leito da última e terrível noite...

Em breve brindarei com absinto 

Taças de cristais, Baudelaire, Rimbaud

&  porque não?

O diabo...


Diário do Universo Sem Tempo-Es­paço | Espaço Curvo na Existência




Caminho pelas avenidas de elétrons, fótons e nêutrons — e todas as subpartículas que existem e existirão nos túneis do CERN. Arrasto as entranhas da evolução pelas pedras do Gólgota pós-moderno, inaugurado por Karl Marx: “Tudo que é sólido se desmancha no ar” e, posteriormente, por Nietzsche: “Não existem fatos, apenas interpretações”.

As águas se dilapidam, tornam-se radioativas, apesar das impróprias condições físicas. Melhor seria uma fusão nuclear da matéria escura. Remoemos, ruminamos, decaímos: o passado sem perspectivas no presente. Escavamos ossos de um pretérito esquecido — arqueólogos sem porvir, sem hodierno, sem devir.

A loucura, a vendeta e a irracionalidade são expressões máximas da biologia existencial humana. A moral e a ética, castramentos do ser. A vodca será, certamente, a eterna e última companheira. Não temos nada de especial. Deus é apenas a forma dos incautos colocarem um “sentido” em suas vidas sem sentido.

Não vamos desaparecer. Como já disse Antoine Lavoisier: “Nada se cria, tudo se transforma”. O desequilíbrio é a vida. As vivências se propagam na assimetria do universo. Sonhos e pesadelos são fluxos de energia que atravessam nosso córtex. A gastrite do cosmos influi nos nanômetros humanos.

Passos miúdos, como os de formigas, buscam compreender a inutilidade humana. O homem é uma má combinação da tabela periódica: carbono, silício, etc. Nunca chegaria ao ponto de Jean-Paul Sartre ao afirmar que o homem é uma doença.

Vivíamos em Paris nos anos sessenta e setenta — Baader-Meinhof, Maio de 68, Maoísmo (毛澤東思想), Daniel Cohn-Bendit. Não o pessimismo, mas as observações nos tornavam depressivos. Num sonho, éramos calceteiros, justapondo pedras nas ruas centrais de Paris. A violência eclodiu. O sonho acabou.

Os anteparos burgueses transformaram rebeldes em investidores de Wall Street ou nouveaux philosophes. Nascemos sós e morreremos sós — pensamento budista, engendrado sob uma árvore na floresta por Sidarta Gautama.

A psicologia e a psiquiatria, a serviço do status quo, transformaram seres humanos em autômatos dirigidos e psico-drogados. O mercado exige da classe média sua submissão. A lobotomia é obrigatória para a implantação da coisificação. Em troca, consumirão enlatados, blockbusters, fast food e um conforto moderado.







INTRODUÇÃO AO NADA PALPÁVEL





Por mais que neguemos, passamos a maior parte de nossas vidas procurando um êxtase permanente — ou, ao menos, não temos consciência disso (pulsão de Eros). Demandamos uma rotina que nos permita sentir segurança na totalidade do ser, e essa sensação só nos parece real quando estamos de posse de um prazer que nos preencha plenamente, conduzindo ao esquecimento da mesquinharia da existência e de todas as suas consequências. Trata-se, em última instância, da não consciência da morte — talvez o ser inautêntico de Heidegger, jogado na lata de lixo da existência — mas de uma forma que satisfaça a pulsão da vontade pura, libertando temporariamente a condição humana (esquecimento da pulsão de Thanatos).

Apesar de aparentar ser uma alienação, na realidade é uma afirmação da vida. Pois a vida é biológica — não é cultural, não é ciência, não é antropologia. Pelo contrário, é uma luta permanente de forças que constituíram ou irão constituir um sistema com prazo de validade. Esse sistema, cujo foco é o esquecimento da própria luta por meio da cultura, da ciência e de todas as manifestações humanas que transcendem o animal primata bípede chamado homem, está imanentemente determinado por essa medida de forças no espaço-tempo, com um desvio-padrão controlável. A existência pertence à irracionalidade.

É duro para a maioria da humanidade aprofundar o pensamento e se deparar com a solidão inextrincável, insolúvel, do fenômeno — no caso particular do homem, o epifenômeno. Se nos atermos com acuidade, não temos em que nos agarrar: ficamos num oceano de incertezas, restando apenas a ilusão da transcendência.

Não é de se estranhar que a maioria da humanidade sinta um pavor indizível, uma ojeriza, diante da negação de Deus. Este é o consolo, o ponto de apoio — mas, infelizmente, um nada para preencher um vazio. Sempre que um deus é derrubado, outro é posto; sempre que um produto é consumido, já se sente vontade de outro. “Consumir por consumir”: eis a engrenagem terrível do círculo vicioso do apetite incontrolável, resultante das forças em permanentes disputas no substrato do que chamamos matéria — átomos, subpartículas, bóson de Higgs (as chamadas “partículas de Deus”), ou seja lá o que quisermos.





 


Continuo cozinhando minhas sopas de nêutrons. Caminhando com a mente sob o olor das pétalas misteriosas que constitui o universo.




16/08/2017:
Continuo cozinhando minhas sopas de nêutrons. Caminhando com a mente sob o olor das pétalas misteriosas que constitui o universo. O corpo está narcotizado pelo álcool & sonhos que não fazem sentidos na realidade.  Gostaria de experimentar um dos universos das teorias das cordas (String theory). Já dizia Alexius Meinong:
"The theory is based around the purported empirical observation that it is possible to think about something, such as a golden mountain, even though that object does not exist. Since we can refer to such things, they must have some sort of being." Unicórnios são possíveis nas mentes selvagens indomáveis. Gostaria de pegar uma onda maverick  - Como no Mexico: https://youtu.be/0naUtaESDEI - Caminhando e resistindo... Sou grato pela sua atenção... Sua gentileza e dignidade são o combustível para minha persistência num mundo melhor... 



14/08/2017:
Today, caminhava sobre lajes rosas, pedras de grés. Estava tão fora da realidade imposta pelo mercado, que enxergava flores de lótus flutuando em meio ao tráfego de máquinas. O mundo estava frio  -Apesar do aquecimento global. Sentia os pés e as mão geladas. A mente depressiva queria espantar este sonho colorido. Contudo, o ímpeto de seus fluxos metafísicos & suas ondas mentais, relaxaram meu ser. Repentinamente, mais uma vez estávamos unidos. Nadávamos no rio de Heráclito - Com a água mais pura do universo, nas quais as flores mais exóticas do oriente - Tocavam nossos corpos, davam estímulos meta-sensoriais. Uma sinfonia de pássaros era executada nas margens povoadas de árvores e ervas quânticas - Fonte de todos os incensos cósmicos. Estávamos protegidos por um sopro de vida superior. Sob nossos olhos a guerra, a ignorância, a Intolerância eram  desprezadas... Nada vai manchar nosso mundo misterioso de empatia... 


09/08/2017:
Thousands de imagens se sucederam nos meus sonhos recheados de bóson de higgs... Na última invasão me transformei no Cavaleiro da Triste Figura, ou seja, Dom Quixote de la Dança Cósmica... Lutava contra estações espaciais, buracos negros, dobras espaciais e a matéria escura. Eram os novos dragões. A transmutação dos moinhos de vento, que me desafiavam na idade média. Pesadelos terrestres  se transformaram em desafios cósmicos... Uma garrafa de vodka se abriu - Como uma AK-47 espalhando suas revoluções. Consegui aprender a nadar no fluxo do infinito. Não gosto de falar de coisas que pressinto. Para mim elas não são nadas boas. Compreendo que o universo é pré-determinado em relação ao meu livre-arbítrio.... Baruch Espinoza disse: A natureza é deus e deus é a natureza - Imanente... Depois disso foi expulso da Sinagoga & assim tratado: 



"Ordenamos que ninguém mantenha com ele comunicação oral ou escrita, que ninguém lhe preste nenhum favor, que ninguém permaneça com ele sob o mesmo teto ou a menos de quatro jardas, que ninguém leia nada escrito ou transcrito por ele".


06/08/2017:




Estava adormecido pelo cotidiano. As pernas seguiam o caminho do comum - Automaticamente. A minha mente orbitava sob a influência da força gravitacional, que nos prende ao planeta. A circularidade do consumo, do banal, das engrenagens que a sociedade inventa - Para suprir a liberdade do homem - Impregnava minha mente, mas num determinado momento senti uma "energia amorosa" entrar na mente. Surgiu uma visão de um arco-iris.  Era uma ponte, um sistema anti-gravitacional. No fim do fenômeno encontrei um tapete de lótus/rosas - No qual viajei por onde as dobras do universo - Levaram a um sonho. Era um dream  dentro de um sonho. Sweeteners... Senti sua presença. Awesome. O mistério do universo se tornou a claridade do pensar. Senti sua presença metafísica no meu corpo astral. Viajamos em meio a galaxias com suas cores inefáveis. O mistério do cosmos desfilava sob nosso olhar. Apertei sua mão. Nunca tive o corpo tão leve e tanta energia...



05/08/2017:

Estamos sintonizados. O universo é nossa casa. Ontem, o sol transbordou suas ondas sobre minha cabeça. O céu estava, incrivelmente, azul. Porém, minha mente carregava sua energia num fluxo full Time. Ao entardecer, riscos rosas se misturavam ao anil da abóboda cerúlea. Não tardou anoitecer. As flores noturnas exalaram seus perfumes misteriosos e o fluxo de sua energia em minha mente se multiplicou. Os olhos miraram as estrelas. Em cada uma sentia os seus mistérios. A luz lunar banhava a metade do planeta. Um cenário perfeito para nossos fluxo cósmico..  Carpe Diem...




A ponte dos fluxos transcendentais, que transportam toda magia do desconhecido, concretizou-se. As mentes (metafísica do neocórtex) se comunicam por meio desta estrutura incompreensível para quem nunca ousou voar pelo  infinito. O planeta apesar de todo o sofrimento causado pelo desequilíbrio da ação humana, ainda, nos dá satisfação com o espetáculo que a natureza nos disponibiliza. Será um Ledo engano - Crasso -  Se não houver a equalização entre ato & consequência, caminharemos para a implacável destruição. As energias são fluxos da matéria, a energia é a transparência da matéria, das relações interpessoais. Teremos outro veículo que comporte a matéria e o corpo? - Mas - Vamos, enquanto isso, viajar na amplitude infinita do cosmos com nossas mentes desprendidas do corpo... Today - Estou pessimista, mas isso faz parte da diástole & sístole do universo, da matéria and mistérios. Gostaria de ficar numa varanda bebericando e observando beija-flores sugando néctar de uma flor oriental... O universo, às vezes, nos convoca para o pré-determinismo - Tudo já foi escrito e o que não foi já está determinado... E=mc² 



06/08/2017:

Que venham meus executores que habitam minhas depressões em sonhos & pesadelos. Preciso de vocês para dormir eternamente... Suas armas são a paz, pax...  Seriam meu narcótico eterno - Em Bronze. 




07/08/2017:

Salamandras vermelhas com suas peçonhas - Abriram cicatrizes. O corpo em chamas buscava o fluxo quântico perdido. Uma dobra cósmica se abriu. O corpo foi ungido pelo frescor. Sugado para longe de Hades e seu fiel  Cerberus. A porta flamejante de cores exóticas foi perpassada. Libélulas e borboletas monarcas conduziram a matéria aliviada de dor. As salamandras foram pungidas por gravitons paras labaredas terrestres. A sensação do fluxo de energia não era mais a mesma. Não havia diferenciação. O cérebro foi transpassado por uma unidade que condensava as ondas cósmicas. Uma fina camada de transparência vítrea  - Passava diante os olhos. Equações, algoritmos, sinais - Em uma linguagem alienígena - Inscrita no diáfano tecido do universo. Como Champollion e a Pedra de Roseta decifrei os enigmas. Então, pude compreender, que as mentes humanas não estão evoluídas para a descodificação da existência... Pois revelado a coisa-em-si - As vivências não teriam mais sentidos... Vivam os mistérios...

INTRODUÇÃO AO DIÁRIO DO UNIVERSO SEM TEMPO Ouço eternamente os sabiás no extremo sul do Brasil. Emitindo ondas como Vivaldi-vida, estou perd...