quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

 


O Existir é o Nada Composto





O existir é o nada composto

A eternidade é o nada simples

II

O que recebo pelos sentidos não encontro

no reflexo

No sentido imediato...

III

Estou preso ao passado

Nada Flui

O rio congelou

A redoma é eterna

Num amanhecer lúgubre 

III

A catadupa silenciou

Como o pássaro sem primavera

Como a loucura bêbada

Como a veneta tóxica



IV

Não existe mais o céu

As estrelas conspiraram

O sol dormiu nas mutações de Morpheu

Tudo agora é um breu fétido

V

Fiquei perdido nos pântanos de Dante

O último cometa se aproximou

Profecias de Nostradamus 
 

VI

As sagradas escrituras revelam o apocalipse

Na ceia um prato de lentilhas

&

A cabeça de São João Batista

em bandeja de Prata



VII

Em nome da rosa - O segredo

As gazuas soltaram os demônios

Dou os últimos suspiros

Aves de mau agouro gorjeiam:


Idus Martiae...  Idus Martiae... Idus Martiae..





VIII

O metal bruto atravessa meu manto romano

O sangue derrama todas as misérias

No leito da última e terrível noite...

Em breve brindarei com absinto 

Taças de cristais, Baudelaire, Rimbaud

&  porque não?

O diabo...

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