O pólen flutua como pensamento errante, o néctar se esconde em delicadeza, insetos dançam em coreografias estravagantes, pássaros atravessam o ar como flechas de canto.
Tudo sob um céu insano, azul oliviáceo, que parece rir da nossa pequenez.
E ali, a árvore — soberana, silenciosa — projeta sua sombra um pouco afastada da avenida diminindo a temperatura.
Eu, sentado, observo o cume do ser verde, esse organismo que respira e dá vida, esse microssistema no qual me incluo, parte e testemunha.
Sou raiz e folha, pólen e pássaro, sombra e claridade.
Sou também desencontro, mas encontro-me na árvore, que me devolve ao mundo em silêncio.

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