O cotidiano sagrado de uma loucura profana
No fim da tarde, os sabiás gorjeavam, um vento quase mistral, uma brisa celestial que contaminava o arredor. A alguns metros, uma barraca de cachorro-quente mantinha um certo fluxo de pessoas. Ali eu tentava aliviar meus pensamentos constantes sobre a morte, apesar de saber que ela chegaria mais cedo do que tarde. Num certo momento, um senhor parou diante de mim e disse:
— Tudo bem, comandante...
— Claro, vamos tomando cerveja e levando a vida...
O diálogo se prolongou. Concordamos que os médicos precisam de doentes do corpo e os religiosos de doentes da alma. No entanto, ele ponderou sobre o espiritismo — do qual era adepto. Tentei tangenciar o assunto, pois se desse minha opinião niilista sobre o mundo poderia causar divergências incontornáveis. Eu acreditava em não acreditar: este era meu princípio básico.

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