ENTRELAÇAMENTO QUANTICO 7 FOLHAS SECAS
As folhas esmaecidas, em sua silenciosidade, caem sobre o manto asfáltico antiecológico, construído — ou desconstruído — pelos humanos. Fico a jogar arroz integral para os pombos; sou o último Nikola Tesla incompreendido, traído pela selvageria da ganância. A amizade com os animais “irracionais” me deixa mais próximo do que Heidegger procurava: a essência do ser. Contudo ele se aproximou do nazismo...
Vejo os carros rasgarem o asfalto em alta velocidade. Quanta irracionalidade, apesar de serem Homo sapiens. Já abri várias latas de cerveja sentado na mureta implacável do posto e a loja de conveniência da hidrocabureta Schell, e a vida continua inerte ao ser que tenta emergir das profundezas dos coacervatos — até mesmo das poeiras que construíram o universo após o Big Bang.
E os pombos, com suas cores padrão, alimentam-se do arroz que joguei em homenagem à paz destruída pelo insano capitalismo na procura do deus money. A voz aguda dos evangélicos e a grave dos católicos me afastam da religião. Prefiro as palavras de Espinosa: a natureza é Deus, e Deus é a natureza. y Richard Feynman com sua genialidade - não conseguiu nos dar um mundo mais aprazível...
Sou um ateu convicto — sem temor, sem culpa — apenas vivendo a consagração do universo que não compreendemos. Ainda assim, especulo sobre o entrelaçamento quântico, sobre as constantes aparentemente inquestionáveis dos multiversos, sobre o grito agudo de alguma criança — talvez um eco no vagido primordial do Big Bang.

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