quarta-feira, 19 de agosto de 2026

 


Cada morte é o fim de um mundo particular. Já assisti à eutanásia; tentei isolar todos os sentimentos, não queria opinar ou me manifestar, pois a decisão não pertencia à minha pessoa. Então, no silêncio que gritava indagações que Deus não sabia responder - ou era surdo ou não existia -, eu disse: graças a Deus que sou ateu. São situações difíceis, entre escolher a dor lancinante que aflige um ser e um suposto alívio com o fim de uma existência. Vamos ser racionais: o fim é o início de uma nova combinação de átomos, nada se perde, tudo se transforma. Mas como concertar a consciência dos átomos que ainda se ordenam por emoções e sentimentos, e que ficaram por um fugaz lapso de tempo? Há uma frieza glacial que nos permite driblar este momento obumbrado: basta nos entregar nos braços do capitalismo e nos satisfazer com alguns fluxos de consumo. Pasmem, a ausência de quem se foi será esquecida imediatamente, pois estamos alienados pelo mercado que nos absolve e envolve tudo o que é humano numa psicologia de criar dependências e necessidades, apenas para manter o sistema vigoroso e estimular a fraqueza de nossas virtudes:


TEMPO É DINHEIRO E DINHEIRO É FELICIDADE.

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