Da Ilusão do Poder à Mente Selvagem: A Desconstrução dos Absolutos - Maxikoans
Poderíamos, porventura, aprisionar novamente o tempo psicológico, mantendo a relatividade restrita à ilusão dos sentidos — tal como o espaço e o tempo kantianos. Afinal, não podemos compactuar impunemente com a ideia de que os sentidos, isoladamente, nos tragam uma realidade passível de hermenêutica. Com efeito, comportamo-nos como sofistas enquanto nossos argumentos não influem em alguma forma de poder; qualquer discurso só será considerado válido quando o status do poder institucionalizado o adotar e o legitimar.
Essa busca humana por um esteio absoluto reflete-se mesmo nos ícones da ciência. Na realidade, Albert Einstein agiu com certa hipocrisia ao mitigar seu ateísmo: ele não queria admitir sua descrença convicta, quando, verdadeiramente, acreditava em um "deus da física", de caráter antiteológico. O único absoluto em que ele depositava sua fé era a velocidade da luz. Esse Einstein teólogo só divulgou sua Teoria da Relatividade porque acreditava piamente em um universo estático, cujo referencial supremo residia nesse deus-luz, a única constante que sua fé sustentava.
Einstein insistiu nessa visão mesmo quando a física apontava para direções opostas. Primeiramente, o universo está em expansão, e a sua própria teoria indicava esse movimento (o qual ele tentou anular). Em segundo lugar, um deus nesses moldes só ganha contornos de existência se considerarmos a Teoria dos Objetos de Meinong, habitando o plano dos objetos que possuem significado lógico, mas carecem de existência real.
Para romper com esses absolutos artificiais, precisamos recorrer a Heidegger e alcançar o ser autêntico. Devemos tomar plena consciência de nossa própria duração, do limitado delta da nossa existência. Ao assimilarmos nossa finitude, emergiríamos como seres autênticos, despidos de neuroses acumuladas e livres de preconceitos banais. Afinal, é preciso uma mente selvagem e arrogante para tentar explicar a totalidade do universo através de rédeas humanas. Deveríamos, em vez disso, exercer a humildade epistemológica de Karl Popper e David Hume, assumindo de uma vez por todas a nossa profunda ignorância antropomórfica.


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