segunda-feira, 20 de julho de 2026



O Epifenômeno Face à Força Bruta: A Ilusão Antropomórfica e a Transfiguração do Sentido




A jornada humana pelo cosmos revela-se, fundamentalmente, terrível. Diante de nossa própria duração e da mentira que fomos forçados a impor aos nossos instintos, sentimo-nos compelidos a nos perpetuar neste planeta inseguro. Fazemo-lo sob a égide de um ser superior do qual seríamos descendentes e uma imagem imperfeita - nos moldes da tradição de Platão. Quanta mentira foi necessária para encobrir as forças originárias da primitividade na expansão do universo! Quantas formalidades foram erguidas para explicar a força bruta e ardilosa que mantém o cosmos sob o seu domínio.
Não restou outra saída para este amontoado de moléculas que produziu o epifenômeno da consciência - uma ocorrência restrita ao sistema solar e, talvez, única no universo por sua simplicidade. Afinal, iludimo-nos ao acreditar que o ínfimo é complexo e que a imensidão infinita do universo é simples. Diante dessa vastidão e da necessidade de redefinir o nosso papel, faz-se necessário revigorar Descartes: o mais importante não é o que faço ou o que digo, mas sim o que penso. O império do pensamento é a nossa única certeza incontestável.
É através desse pensamento que alcançamos o holismo. Cada reflexão de cada homem contribui para o que chamamos de humanidade, a qual, por sua vez, mantém uma relação de interação passiva com o universo. A consciência humana totalizada no conjunto dos homens contém informações de movimento, espaço, energia e matéria infinitamente conexas e auxiliares. Essa orientação é determinada pela aleatoriedade decorrente do nosso não conhecimento de leis antropomórficas para explicá-las e descrevê-las. No entanto, um dia descobriremos que o antropomorfismo é a única e verdadeira falácia do universo.
Liberto dessa ilusão egocêntrica, o pensamento já não opera por figurações, mas sim por transfigurações. Os argumentos transformam-se em metafiguras, situando-se além e aquém do sentido original emitido. A metafigura projeta-se e, ao mesmo tempo, abre-se para o infinito. Aproximamo-nos, assim, do pensamento do segundo Wittgenstein e de sua flexibilidade para uma linguagem menos preconceituosa, onde os limites do mundo se expandem na mesma medida em que aceitamos a fluidez do sentido.







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