O Deus de Einstein e a Neurose Humana: Por Que Criamos Absolutos Para Fugir do Caos?
DEUS DE EINSTEIN
Na realidade, Einstein era um grande hipócrita; não queria dizer que era ateu quando, na verdade, acreditava num deus da física, antiteológico, o único absoluto em que acreditava >>> a velocidade da luz...
SER AUTÊNTICO
Devemos ter consciência de nossa duração do delta da existência; assim, seríamos o ser autêntico de Heidegger, com menos neurose, com menos preconceitos e tal...
O DEUS DE EINSTEIN II
O teólogo Einstein só divulgou sua teoria da relatividade porque acreditava num universo estático e com referencial em Deus >>> a velocidade da luz, a única coisa absoluta em que ele tinha fé:
a) O universo está em expansão e sua própria teoria indicava isso...
b) Que Deus só existe se considerarmos a teoria dos objetos de Meinong...
Com efeito, somente uma mente selvagem para tentar explicar o universo >>> deveríamos ser humildes como Popper e Hume e assumir nossa ignorância antropomórfica...
MUNDO PIAGET
A ideia do conceito de unicórnio, centauro, enfim, conceitos que não encontramos no mundo natural, material dos sentidos, disponível ao homem, são, na realidade, ideias e conceitos elaborados pelo senso comum de complexidades, construídos dialeticamente em um determinado ciclo evolutivo mental que, mais adiante, pode ser transformado em mundo concreto: o mundo é Piaget em todos os sentidos, a construção é livre...
MAIS UMA VEZ NIETZSCHE
Nietzsche, em certo sentido, tinha razão; o que adianta este imbróglio de leis, esta teia de morais, teologias, idealismos piegas? Se compararmos com os tempos trágicos, primitivos, ainda — e talvez em maior grau — padecemos dos mesmos sofrimentos...
O Tecido Comum: Costurando as Pontas no Espaço-Tempo
À primeira vista, o ateísmo disfarçado de Einstein, o delta existencial de Heidegger, o construtivismo de Piaget e a tragédia moral de Nietzsche parecem órbitas distantes. Não são. Eles colidem e se fundem na mesma teia: a incapacidade humana de aceitar o vazio e a impermanência do espaço-tempo.
O erro de Einstein foi o mesmo erro de toda a nossa civilização. Ao forçar uma constante cosmológica para desenhar um universo estático, o físico operou sob a mesma neurose que Nietzsche denunciou: o pavor do caos dinâmico. O homem cria deuses na física, teologias na religião e amarras na moral porque não suporta a vertigem da expansão contínua. Queremos um referencial absoluto — seja a velocidade da luz ou um código de leis — porque temos medo do nosso próprio delta, o intervalo finito e minúsculo que Heidegger chamou de existência autêntica.
É aí que o "Mundo Piaget" se revela a ferramenta definitiva de sobrevivência. Diante da nossa gritante ignorância antropomórfica, isolados em um universo que não compreendemos (como bem sabiam Hume e Popper), nossa mente evolui dialeticamente para povoar o vácuo. Se o espaço-tempo é indiferente e a dor primitiva permanece a mesma, nossa consciência reage criando livremente: inventamos centauros, teorias científicas e conceitos abstratos de Meinong. O mundo se torna concreto porque nós o construímos para não enlouquecer.
Amarrar essas pontas é assumir a nossa dupla condição: somos os animais trágicos de Nietzsche que padecem das mesmas dores primitivas, mas somos também os observadores de Einstein, cuja mente é capaz de curvar o próprio tecido da realidade através da imaginação e do conhecimento. O universo se expande lá fora, mas a verdadeira construção acontece aqui dentro.
Einstein tentou fixar o universo para encontrar Deus; esqueceu-se de que o único Deus possível é a própria mente humana que o inventa para não desabar no caos.
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