Over and over, I keep going over the world we knew.
Os sinos não badalaram, e o silêncio frio se agudiza no vento lancinante. Ernest Hemingway não quis levar flores aos soldados crucificados pela guerra dos senhores; isto é passado do universo em bloco. O consciente não tem mais controle da holografia que, nas entrelinhas do espaço-tempo, nos ilude - como os habitantes da caverna de Platão e as sombras truths. A igreja em frente à praça, onde os campanários guardam um silêncio obsequioso, afasta os desajustados e acolhe os conservadores no seu útero. Há um paralelo com a física quântica: o vazio está cheio de campos que fazem surgir do nada matérias extremamente transitórias, enquanto no macrocosmo as partículas ganham vida mais consistente.
Aqui na Terra, as diferenças favorecem os diferenciáveis, que têm as rédeas do poder. Podemos presumir que o pré-determinismo privilegia a classe dominante, enquanto as classes frugais nascem e morrem perto da velocidade da luz. No cérebro, a voz melancólica de Frank Sinatra se repete indefinidamente: 'Over and over, I keep going over the world we knew...' — a música antiga auxiliando os movimentos cambaleantes numa linha reta, segmento de curva. O espaço é geométrico, os sentimentos são cálculos ilógicos, e tudo flui no mundo de Heráclito.
As flores invernais se abrem aos insetos que se perpetuam no meu cérebro, à procura de um hormônio final da glândula pineal. Uma epifania pós-quântica cortou a medula óssea; fiquei paralisado diante da palidez gelatinosa que minha face expressava. Fechem as portas ingentes do orco humano, ainda quero respirar neste planeta...

Nenhum comentário:
Postar um comentário