O Espaço Curvo da Consciência: Entre o Silício, a Carne e a Guilhotina Ideológica
Aqui, sozinho na mureta que suporta meus desvaneios alcoólicos. O posto de gasolina oferece a matéria-prima para a doidivana diária: a cerveja. Desemaranhado das relações e paixões existenciais, sinto-me bem. Ela, com seu cigarro indonésio, me olhou de forma fulminante; tentei interpretar o que sua expressão facial revelava. Não tivemos contato, apenas me lembrei do retroativo que levou a esta minha solidão racional e preventiva.
A existência vem desde o Big Bang, e a coisa se intensificou desde que o Homo sapiens levantou do chão do planeta, passou a admirar o cerúleo e adquiriu a consciência - a maçã de Eva e de Newton. Não sou uma máquina; passei no teste que ela me propôs. Alan Turing desvendou os códigos, os enigmas, mas escondeu as relações humanas...
No meio de uma tarde muito fria, fui até o boteco da esquina curva e sorvi mais uma cerveja gelada, enquanto seres ofuscos tomavam café fervente. A garçonete perguntou, por entre seus cabelos lisos e pretos:
- Cara, por que você bebe tanto?
Fiquei alguns minutos pensando. Porra. Deve ser porque tenho vontade. Disse para ela que, no próximo pedido, responderia. E a tarde foi virando noite; fiquei com o pensamento em circularidade: Por que eu bebo tanto? Acho que ela se deu conta da sua pergunta invasiva; não falou mais nada, apenas atendia ao meu pedido de mais uma cerveja. A vida não é uma continuidade em linha reta, pois o espaço é curvo, como provou Einstein. Saí do deletério bar e caminhei em direção ao centro da cidade, onde empinei uns conhaques no frio castigante do Sul...
Eles querem eliminar os elementos. Sou alvo: invadiram minha casa, meu cérebro, big techs e policiais. Agora estou livre, pois sempre tive consciência do determinismo, e foi dos paradoxos que me alimentei para fugir de situações assombrosas. Não tenho facilidades. Houve um tempo em que pensei em morar no meio do mato, sem contato com outros humanos - viver dos frutos da natureza, exceto alimentar-me de animais, apenas vegetais. Mas isto também seria uma violência "menor", pois quanto mais entendemos o emaranhamento do universo, mais próximos ficamos de uma empatia transcendental, apesar das revoluções violentas de temperaturas, pressões e gravidade espalhadas pelo (multi)(uni)verso.
Eles querem guerrear, dominar mercados e tornar as grandes massas populacionais escravas das big techs, das viagens espaciais e das ditaduras dos magnatas. Eles vão extinguir a humanidade com seus lucros e ganâncias sem fim. A tecnologia que deveria nos libertar virou a nova coleira de silício, gerida por corporações que operam sob dogmas financeiros cegos.
Nós somos primários, secundários, terciários ao infinito em saber - realmente, quem somos? Temos consciência da vida e de que seu término é a morte. No entanto, temos Lavoisier, que teve a coragem de dizer: "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". A frase resume sua principal descoberta, a Lei da Conservação das Massas, que estabelece que, em um sistema fechado, a soma da massa dos reagentes é sempre igual à soma da massa dos produtos.
Lavoisier foi guilhotinado; sua cabeça foi separada de seu corpo e ele nunca mais teve tempo para pensar. Ironia química do destino. Mas a decapitação de Lavoisier pela fúria jacobina não foi um fato isolado na história; foi o prelúdio do que acontece quando ideias fixas e dogmas políticos tentam dobrar a realidade científica.
Se nos anos 1930 e 1940 os Estados Unidos tivessem adotado o isolacionismo extremado e o fechamento dogmático de fronteiras que vemos ressurgir na política moderna, os maiores cérebros do mundo - Einstein, Fermi, Teller - teriam sido barrados. O ecossistema que gerou a computação e a física moderna jamais teria existido em solo americano. Mas a história mostra que o mal da ideologia acima da ciência destrói qualquer império: a Alemanha nazista ruiu sua própria liderança científica ao banir a mecânica quântica por considerá-la "física judaica"; a União Soviética de Stalin dizimou sua agricultura e seus biólogos ao forçar a farsa do "Lysenkismo" para se adequar à cartilha do partido.
Quando governos ou megacorporações guiam-se por narrativas cegas sem comprovação científica, a inovação é barrada e a evolução é decapitada. Sob o frio castigante do Sul, engolindo o conhaque que queima o peito, percebo que somos todos matéria em transformação, resistindo para que nossas cabeças pensantes não sejam separadas do corpo pelo algoritmo esmagador dos novos tempos.

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