sexta-feira, 28 de agosto de 2026

 

Colisões na solidão: o preço de ver o ser no singular, o cern da alma - partículas, solidão e letras minúsculas

 


Sonhei estar dentro do túnel do CERN e ver partículas colidirem próximo à velocidade da luz; talvez isso aliviasse um pouco o preço a pagar de uma solidão voluntária e necessária. Contudo, o alvo seria estar dentro de um buraco negro, depois de ter passado pelo horizonte de eventos, alcançar a singularidade ou a inexistência do plural. Cooper estava à minha espera, já que dominava o tempo e a gravidade, mas não tinha a chave, as equações para voltarmos para o plural. Ele falou que poderíamos mandar mensagens, e isto era tudo. Numa esperança de transmutação, ainda indaguei se existiria algum portal para um mundo paralelo, onde as emoções, fruto dos sentimentos, não operassem num ser humano. Ele balançou a cabeça negativamente e depois respondeu que estaríamos no singular eternamente; que as hipóteses de universos dentro de um black hole eram meras suposições de mentes perturbadas pelo cotidiano, que também invade a ciência e busca escapar do mito de Sísifo, crendo em paraíso e idade do ouro. Novamente, resolvi questioná-lo: como afirma com tanta certeza tais questões? Ele sorriu como o gato de Alice e disse: 'Aqui não temos leis que se aplicam do espaço-tempo de onde viemos; aqui einstein, newton, hawking e todos os cérebros privilegiados humanos estão inertes, se comparam a gusanos. Os paredões negros de uma superatividade gravitacional nos espaguetificam, não possuímos mais matéria, apenas somos parte de uma singularidade única, de uma consciência de que somos e não somos. Não temos por que fazer a pergunta que Heidegger fez: — Por que há o ente e não antes o nada? — Aqui não existe o nada, o vazio, campos de força... aqui somos o que somos'.




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