segunda-feira, 13 de julho de 2026


 TRIBUTO A BERKLEY


OU

EMPIRISMO EMPERRADO


O que vejo não é o que vejo. Aliás o que sinto não é o que sinto. O que penso são ideias, mas eu não existo como objeto metafísico, cartesiano. Dou suporte a pensamentos que não são percepções ordenadas oriundas dos sentidos. Não creio que há uma realidade que os modelos dos meus pensamentos possam representar fielmente. As vivências que percebo são aprisionadas pela complexidade cerebral. Resumindo: -Aquiles nunca alcançará a Tartaruga....


Levei o mundo para dentro de minha casa neuronial, mas o mundo não cabe, fica sempre incompleto (apesar da incompletude suportar o infinito). As percepções reinvidicam o conhecimento, pois não há conhecimento sem primeiro ter havido percepções. O pensamento é percebido, uma vez percebido pode ser manipulado pelo fluxo de ordem que entra pelas portas das percepções ( The Doors of Perception - Aldoux Huxley ). Porém tudo isto é ficção. O que acontece, com efeito é - só posso crer na ordem que o mundo entra pelos sentidos - ir além disso, é querer transcender para o nada, é querer imaginar o fim do infinito, acreditar em deus. Mas como disse Wittgestein no seu sétimo aforismo do Tractus "Sobre aquilo que não se pode falar, deve-se calar".



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