Estou afundando na areia movediça do cotidiano. O eterno virou um rio caudaloso que me encaminha em direção a uma catarata que joga as certezas contra as leis de Newton; a quântica nos tirou do esquadro. Agora, só estou caindo porque o espaço é curvo e minha intuição não percebe que a maçã só atingiu a cabeça de Newton pelo motivo de que estamos sempre caindo. A Bíblia elaborou uma metáfora melhor sobre esta fruta — os essênios foram mais originais. Faz sentido na minha existência o pecado original, pois estou sempre caindo de bêbado nas lajes do ramerrão, à procura de uma Eva imaculada. Deus dos alcoólatras, me salve das companhias de Bukowski e dos poetas franceses que colocaram o manto maldito sobre seus ombros! Eu só queria ser uma pessoa cotidiana, normal, e aí desconstruíram minha normalidade.
Os conservadores me condenam, os anarquistas não me entendem, os liberais acham que passei dos limites, os capitalistas dizem que não tenho marketing; por fim, os socialistas falam que estou alienado. O buraco é mais embaixo: não tenho compromisso com ideologias fixas, apenas estou no fluxo de Heráclito. Deixem o rio fluir, não construam mais barragens para estancar a existência. O Sol é a energia de que precisamos, e os planetas do sistema solar nos fazem companhia nas noites solitárias. Vamos, coloquem mais um pouco de álcool no meu copo e conseguirei nadar no solitário labirinto das cataratas oceânicas. E assim caminha a minha humanidade...



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