UNIVERSO SEM TEMPO
Nietzsche inicia suas obras com uma advertência: seus escritos devem ser digeridos com estômago de bovino — devem ser ruminados para que o leitor entenda sua obra. Minha advertência é que haja flexibilidade neuronal, desconstrução de todos os parâmetros de mercado, culturais, formais...
Intuitivamente desenvolvi os maxikoans, um método que tem por objetivo desplasmar todo o pensar rígido, autocrático, de autoridade... - com intuito de que o ser se abra para o ser e se liberte do mercado, do capitalismo, da alienação que aprisiona o homem, ou seja, lá o que designamos esta manifestação de átomos, moléculas, subpartículas atômicas que se organizam ao acaso com o fim de existir e ter consciência desta existência; da mecânica do materialismo...
PSICOLOGIA
Um behaviorismo que fazia o cotidiano se derreter na loucura existencial de sentido do vazio, que acompanhava minhas percepções infinitas sobre o nada — o que ajudava a manter viva a existência, apesar de o nada se manifestar em cada célula do meu ser.Mais um dia pesado — mais um Dasein imerso nesta alienação obrigatória do capitalismo. Estou mergulhado numa libertação imanente e numa transcendência invertida a caminho do Dasein de Heidegger, buscando o ser original; uma metafísica que rompa este mundo ramerrão — que rasgue todo este tecido da tradição, deste jogo sem sentido, sem ciência do que fazemos automaticamente:Não sei o que resta ao homem nesta curta duração — certamente não esta vida inautêntica, full-time — o tempo todo a busca de objetivos que vêm alienados, reificados por um domínio que não pertence à motivação, ao real do Dasein — do ser-aí no mundo...
MUTAÇÃO INTRANSPONÍVEL
Sempre é difícil abrir um novo parágrafo — a existência se transforma a cada instante, assim como o estado de coisas que entram pelos sentidos e são refletidos.
INICIANDO O FLUXO DO UNIVERSO SEM TEMPO
Meu corpo, a minha perna esquerda começava a ficar dormente, já era a segunda noite sem dormir — apenas emendava frases pós frases num fluxo tóxico que meu fígado começava a recusar... minha forma corporal estava inchada, o tempo não existia fora de minha memória, tudo fluía unido: passado, presente, futuro. Pensava principalmente em beber, tomar um álcool consistente, entrementes olhava pela janela solitária a movimentação do mormaço que atingia as folhas da minha companheira de viagem — um ligustro japonês de caule inerte e folhas que flutuavam no ar pesado no fim da América perdida...
Esquecido pela tecnologia escravizante — ouvia vários pássaros cantar, alguns carros rasgando a rua tiravam a contemplação positiva da totalidade da realidade que entrava pelos sentidos — Não, não estava ficando alucinado, louco, só obedecia à atmosfera da primavera...
Começamos a viver sem utopias e de realidades de acordo com os interesses dos mais fortes — a adaptação de Darwin serve apenas como ferramenta para os mais fortes manipularem os mais fracos. A adaptação é o modo de sobrevivência dos mais fracos; estes usam os instrumentos como os da religião, da autoajuda, das drogas "legais", das banalidades oferecidas pelo capitalismo — ou, ainda, a negação de tudo isso por meio de álcool e drogas para os que renunciam a esta realidade de submissão aos contratos invisíveis da sociedade...

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