quarta-feira, 22 de julho de 2026

 

PORTO SEGURO



No meu solipsismo encontro um porto seguro
Contra a maré existencial em apuros.
Tento penetrar no obscuro do ser,
Mas as portas estão fechadas.
Nietzsche disse que Deus está morto,
Por isso ele quis o além-do-homem;
É difícil fugir do ramerrão amesquinhador,
O isolamento é a única saída
Enquanto o nada não chega...


O NADA E O ANTI-TEMPO




Assim como o ser vive alienado na coisa, o Nada está onde não há tempo ou onde o tempo não se faz presente >>> o Nada pode existir alienado no ser e passar despercebido pela existência, por mais absurdo que isso possa parecer >>> o Nada está em gestação no Ser e Tempo de Heidegger... Neste momento em que escrevo ou no momento em que alguém lê estas proposições para o Nada, pode ser o próprio Nada se manifestando, prenhe no ser >>> a morte nos é, científica e materialmente, a entrada para o Nada; mas a existência também nos dá a possibilidade da consciência do Nada...
A audição que o homem conhece é a evolução de uma primitiva e grosseira sensação que aconteceu ao acaso >>> a mandíbula de nossos ancestrais se tornou um aparelho auditivo, considerando, claro, os animais dos quais evoluímos >>> porém o ouvir, o existir, é a crença que o Nada alienado no ser manifesta para preencher o vazio que o impossibilita de existir na sua nadificação, no seu anti-tempo >>> o vazio repleto de Nada é a única esperança, é a cenoura na frente do cavalo >>> o idealismo crê e projeta suas ideias, cria baseado no seu solipsismo um realismo que não encontra nada de concreto lá fora >>> apesar de estar prenhe do ser do Nada...
Parmênides e os eleatas acreditavam, creditavam que o mundo e o ser eram imóveis e imutáveis, mas o ser sem movimento não é ser, pois o próprio pensamento de que precisavam para esse raciocínio era móvel, contrariando sua lógica e sua ontologia >>> a sua fé, sua crença no ser imóvel, é apenas mais uma das estratégias do Nada para preencher o vazio, iludir o não-ser com o ser que não existe fora da alienação de todo o transcendente...
Mesmo sem acesso à visão do pássaro que canta lá fora >>> o canto primaveril da ave chega ao meu quarto inexistencial; o mundo é o vazio que o nada-homem preenche para que o niilismo de sentido seja satisfeito por alguma coisa inexistente...
O Nada funda no vácuo a possibilidade da nadidade de Deus, da consciência, do eu >>> todas estas são fundações do Nada dentro do vazio para que o Nada exista no ser, mesmo não sendo ser...
O Nada é imanente e o vazio é o transcendente onde ocorrem as fundamentações do ser-nada-ser >>> a representação do vazio precisa do Nada como imanente do transcendente, a representação do ser-vazio-de-nada; e assim começam as ontologias do Nada contra o vazio e todas as consequências que disso decorrem, pois o Nada confrontado com o vazio apenas ilude o ser alienado que precisa preencher a eternidade, a necessidade, o tempo, o espaço e a sucessão dos fenômenos no epifenômeno para não ter, sempre, a consciência do não-sentido da existência...



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