Da Europa de Monet à Grama Vagabunda do Presente
O ritmo dos rins do pé caminham pelas inconsistências como companheiro de viagem, e as flores murcharam com a aproximação dos cascos do equino de Átila. Os blocos de tempo nos comprovam que não existem os tempos do verbo, somente sua relatividade. Já tive consciência de tempos florais que exalam odores de sonhos nos campos formosos de uma Europa digna dos pincéis de Van Gogh e Monet. Agora, só lúridas paisagens de drogados e bêbados estirados numa grama vagabunda de cidades poluídas. O dióxido de carbono entrando pelas narinas, as telas emitindo sinais digitais repetitivos com finalidades ocultas. Nada mais lembra aquelas mesas rústicas, com as taças dos melhores vinhos sendo atravessadas por intensas ondas solares na esplêndida incidência das luzes outonais. Os pratos fumegantes das sopas de legumes, tubérculos e ervas, sintonizados com toda a configuração do encantamento, entravam pelas percepções e mitigavam nossa avidez pelo álcool fermentado das videiras de Dionísio. Estávamos inebriados com aquele tempo juvenil, fresco e edulcorante. A consciência era só lembranças numa realidade que não para de fluir no fluxo de águas congeladas de Heráclito.

Nenhum comentário:
Postar um comentário