terça-feira, 24 de março de 2026






Estou imerso em ciclos da existência; o círculo vicioso de Sísifo é parte inseparável da vida. Garrafas de cerveja repousam no chão da peça solitária, cenário das minhas lucubrações intermináveis, que partem de um ponto geométrico e giram em trezentos e sessenta graus. Tudo permanece inerte diante da perspectiva de um futuro, pois o looping é irreversível. Os campos quânticos fazem o nada pulsar no vácuo das almas. Sou incorporado em insubstâncias inapreensíveis pelos sentidos comuns, que se desfazem diante da consciência de que não começamos nem terminamos: somos apenas partículas consolidadas do infinito eterno. Do paleolítico ao silício, as reações psicológicas ecoam como respostas da pedra que sobe a montanha e retorna pelo declive...




O garçom é reflexo de nossa alma. Não nutro simpatia por Jean-Paul Sartre quando recorre à metáfora da má-fé do garçom para sustentar sua filosofia burguesa. A Revolução Francesa é o exemplo acabado de que tudo vai e vem. Nada evolui. As mudanças são apenas a capa de um conteúdo que se perpetua no desconhecido. O manto de nossas verdades é tecido pelo vazio dos átomos, suas partículas e subpartículas, que revelam que nem no vácuo podemos afirmar a ausência do nada. Tudo é ouroboros. Convido-te a viver na natureza selvagem. A natureza selvagem é o deus selvagem, lapidando ainda mais as lentes de Espinosa. Vamos carregar nossas mochilas e seguir às cordilheiras, contemplar o universo em uma atmosfera límpida, diáfana, e passar o resto dos tempos na naturalidade do planeta-homem — assim como os aborígenes...




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