Diário do Universo Sem Tempo-Espaço | Espaço Curvo na Existência
Caminho pelas avenidas de elétrons, fótons e nêutrons — e todas as subpartículas que existem e existirão nos túneis do CERN. Arrasto as entranhas da evolução pelas pedras do Gólgota pós-moderno, inaugurado por Karl Marx: “Tudo que é sólido se desmancha no ar” e, posteriormente, por Nietzsche: “Não existem fatos, apenas interpretações”.
As águas se dilapidam, tornam-se radioativas, apesar das impróprias condições físicas. Melhor seria uma fusão nuclear da matéria escura. Remoemos, ruminamos, decaímos: o passado sem perspectivas no presente. Escavamos ossos de um pretérito esquecido — arqueólogos sem porvir, sem hodierno, sem devir.
A loucura, a vendeta e a irracionalidade são expressões máximas da biologia existencial humana. A moral e a ética, castramentos do ser. A vodca será, certamente, a eterna e última companheira. Não temos nada de especial. Deus é apenas a forma dos incautos colocarem um “sentido” em suas vidas sem sentido.
Não vamos desaparecer. Como já disse Antoine Lavoisier: “Nada se cria, tudo se transforma”. O desequilíbrio é a vida. As vivências se propagam na assimetria do universo. Sonhos e pesadelos são fluxos de energia que atravessam nosso córtex. A gastrite do cosmos influi nos nanômetros humanos.
Passos miúdos, como os de formigas, buscam compreender a inutilidade humana. O homem é uma má combinação da tabela periódica: carbono, silício, etc. Nunca chegaria ao ponto de Jean-Paul Sartre ao afirmar que o homem é uma doença.
Vivíamos em Paris nos anos sessenta e setenta — Baader-Meinhof, Maio de 68, Maoísmo (毛澤東思想), Daniel Cohn-Bendit. Não o pessimismo, mas as observações nos tornavam depressivos. Num sonho, éramos calceteiros, justapondo pedras nas ruas centrais de Paris. A violência eclodiu. O sonho acabou.
Os anteparos burgueses transformaram rebeldes em investidores de Wall Street ou nouveaux philosophes. Nascemos sós e morreremos sós — pensamento budista, engendrado sob uma árvore na floresta por Sidarta Gautama.
A psicologia e a psiquiatria, a serviço do status quo, transformaram seres humanos em autômatos dirigidos e psico-drogados. O mercado exige da classe média sua submissão. A lobotomia é obrigatória para a implantação da coisificação. Em troca, consumirão enlatados, blockbusters, fast food e um conforto moderado.

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