quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026




As gramíneas selvagens exaltavam suas espigas de sementes, multiplicando-se infinitamente. Apesar das calçadas de concreto contraproducentes, escapavam para terrenos baldios e usufruíam dos ventos indiferentes. O sol morrente era nossa testemunha ocular. Os fótons do fim de março tingiam o horizonte com tons irremediáveis, prismas de um universo inefável.

Hoje estou liberto das companhias de outrens; bebo minha cerveja em comunhão com as circunstâncias. Escolhi um lugar sem interferência humana — pois esta se encontra demasiadamente contaminada, distante do ser autêntico de Heidegger. Esparramo minha consciência em busca de uma harmonização que seja humana, artificial, vegetal ou mineral.

Aquele pedaço selvagem de natureza intacta — num sentido sem sentido — me espera de braços abertos. Preciso disso: pé na terra, animais circulando, e quando chover, o petrichor lembrará uma consciência enterrada na inconsciência da evolução que Darwin desvelou nas ilhas Galápagos.

Hoje falam de uma holística matrix: somos apenas joguetes de um universo que não conhecemos. Eu preciso do meu álcool todos os dias — será que bebo metafisicamente, enquanto o estado físico das latas e garrafas que consumo não é real? Viverei eternamente acreditando no ser que está ao meu lado — sofrendo, morrendo nas ruas cruéis do capitalismo e de todas as ideologias.

Por favor, eu quero uma ideologia para sobreviver.



terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

 

Machado de Assis Vive




Estou olhando aquele imbróglio existencial — que vai caminhando pela avenida de um bairro de classe média. Vejo uma miscelânea de vivencias — este sou eu, um Brás Cubas com uma pena transcendental, defunto-autor — que se autodescreve a partir da composição de um ser que se achava superior. No seu ego intransponível, na sua consciência blindada com grafeno existencial, não havia espaço para outrem: tudo dependia da minha bênção e aprovação. Ambulava passando por transeuntes, sem me preocupar em cumprimentá-los. Os estudos, livros, filmes e correlatos, somados à total adesão ao digital, me faziam um imperador diante de tanta mesquinhez, de tanta inferiodade... A matemática me afastava do ramerrão infame. Estava reduzido a Pitagoras o mundo. É números... Não conseguia mais ouvir a política medíocre, que misturava corrupção e pastores...



Sentei na mureta do posto de gasolina da bandeira Shell, que havia se tornado um divã, onde me autoanalisava, embaixo de uma árvore exótica — que me acolhia com seus galhos, folhas, caules e bolotas, em vez de frutos. Havia um significado simbólico na interação homem-natureza — o deus de Espinosa: Deus é a natureza & a natureza é Deus... Aqui de cima, sem as emoções geradas pelo que entra pelos sentidos, senti que a existência é um fluxo sem controle. A liberdade é uma palavra sem correspondência na natureza da qual faz homens y deuses. Os liberais usufruem dela para impor poder e garantir direitos. A cantilena da superestrutura impede que as flores floresçam, que as sementes reproduzam o original & a colheita seja justa. Quantas vidas se perderam por venenos (agrotóxicos) jogados do céu pelas máquinas capitalistas. O verde está amarelando, secando — enquanto conchavos entre IA, Estados fascistas e big techs planejam um mundo em que os bilionários darão as cartas, marcadas pela corrupção dos seus desejos, apesar da destruição  do planeta...




quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026



Durou alguns meses aquela extrema liberdade  periferica, marginalizada.  Nos reuniamos sem consciência da nossa liberdade impar. Sentávamos na mureta que cercava o posto de gasolina da Shell. Sempre no fim da tarde -  comprávamos cervejas em vários comércios locais e convergíamos para o que chamávamos de open bar ou bar de rua, conforme a situação nos oferecia Os lumpemproletários se reuniam sem pertinencia de classe. Alguns trabalhavam em serviços domésticos, outros em pequenas transgressões, havia quem vendesse doces nos semáforos. Também,  aparecia um taxista — que dizia ter sido fuzileiro naval US— que cheirava cocaína e adorava filmes de drogados como Christiane F. e Trainspotting (o seu preferido). Usava unhas pintadas
de marrom e cabelo platinado, mas nunca tinha assistido Breaking
Bad. O cortador de grama era um alcoólatra inveterado. Ganhava algum dinheiro e logo estava enchendo a cara pela avenida e adjacências. Só bebia cerveja, mas tinha crédito na comunidade, recebia adiantado por futuros trabalhos.
Havia também um pedreiro que dormia na rua. Perdeu o rumo após uma traição conjugal que não conseguiu superar. Fazia bicos aqui e ali. Era membro assíduo do open bar, dormia sob uma marquise, não sem antes ler os jornais disponíveis no espaço público.
Era um emaranhado de consciências tentando escapar do juízo final. Uma comunidade do caos, em busca de prazeres fúteis antes que o destino os levasse. O que chocava a maioria da vizinhança - era que todos eram ateus — alguns sem saber. “Esses caras nunca leram a Bíblia? Nunca tiveram contato com Descartes, que da dúvida chegou à conclusão de que Deus existe?” Quantas perguntas infames... Isso se passava na minha cabeça de ateu, um passo além de um agnóstico, apenas respondia com ironia diante de tanta ignorância pura. Contudo, entre zombarias e fés, ficou acordado que só a partir dos bling blongs dos sinos começaríamos a beber — nos domingos. Assim, estaríamos com “passaporte para o céu” pelo resto da semana. Ou seja, cairíamos de quatro no chão como Napoleão em Waterloo. O padre nos prometeu vinho na Páscoa, e nós negociamos um garrafão de tinto para encerrar nosso open bar, já que a polícia nos deu um ultimato para fechar o Irruption Bar. Os diálogos surgiam paradoxais: um falava sobre cortar grama sob o sol escaldante do extremo sul do Brasil; logo chegava o taxista-fuzileiro naval US, cheirado pelo pó - que nascemos e viraremos o pó das  estrelas - por que as pessoas precisam de remédios para dormir. Ao mesmo tempo surgia uma mulher que vivia à mercê da praça, trocando o corpo por alguns trocados. Mas mostrava ter alguma cultura — não sei qual evento a arrastou para a fúria das ruas. ogos surgiam paradoxais: um falava sobre cortar grama sob o sol escaldante do extremo sul do Brasil; logo chegava o taxista-fuzileiro, cheirado, perguntando por que as pessoas precisam de remédios para dormir. Ao mesmo tempo surgia uma mulher que vivia à mercê da praça, trocando o corpo por alguns trocados. Mas mostrava ter alguma cultura — não sei qual evento a arrastou para a fúria das ruas.
E eu ali, bebendo, pensando em Kerouac e Cassady. Decidi transformar aquilo em texto. Nesse ínterim, muitas pessoas próximas faleceram. Fiquei encucado com a transitoriedade que nos ronda. A morte começou a fazer parte dos meus giros cerebrais.
No open bar também passaram pessoas com nível de entendimento compatível com o meu. Bebíamos cerveja nas manhãs ensolaradas de domingo. Marino era um cara que eu conhecia há décadas. Era um descendente de uma japonesa que se instalou no Mato Grosso e depois migrou para Santa Catarina. Tornou-se adepto de um budismo independente. Falava que precisava ler algumas sutras, para sobreviver nesta situação infernal. Antes disso, tinha sido skatista do boulevard inclinado; comun ista - depois fotógrafo de partos no hospital. Os laços foram cortados como cordões umbilicais.
Agora estávamos., face a face, no Irruption Bar. Omde uma árvore generosa ns dava uma sombra divina.. Hare Krishna, Krissna Hare..

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

 


OPEN BAR OU IRRUPTION BAR





Durou alguns meses, a extrema liberdade periferica. Os lumprotelariados se reuniam, sem consciência de classe. Sentavamos na mureta que cercava o posto de distribuição de gasolina da Shell. A loja de conveniencias que ficava intra muro, era frequntada por semi burgueses com seus carros importados, achando-se classe dominante - pobres diabos, não sabem que são títeres do andar de cima, eles vinham da montanha de classe media.  Continuando, sempre no fim da tarde, compravamos cervejas em varios comercios do bairro pacato - e convergiamos para o que chamavamos de open bar ou bar de rua, conforme a situação. Alguns trabalhavam fazendo serviços domésticos, outros pequenas trangressões, alguém vendendo doces nas sinaleiras, mas também havia um taxista, que dizia ter sido fuzileiro naval, que cheirava cocaina e adorava filmes de drogados como Cristiane F., Trainspotting - o seu preferido - e com unhas pintadas de marron e cabelo platinado, mas não tinha asssistido a química do mal, (Breaking Bad). Também, haviam alguns traficantes y drogados na praça do outro lado da avenida, que se sustevam por doações dos transeuntes. O cortador de grama  - era um alcolatra inverterado, ganhava algum dinheiro & lá estava enchenchendo a cara pela avenida e adjaciencias, mas o individuo tomava só cerveja e tinha crédito na comunidade, ganhava algum dinheiro antecipado por um futuro trabalho braçal.  Também existia um pedreiro que dormia na rua, perdeu o rumo após uma traição esponsal, que não conseguiu superar... Fazia um bico ali outro aqui. Na verdade, era um membro do open bar, dormia embaixo de uma marquise, não sem antes de ler jornais que ficavam a disposição no espaço público. Era um emaranhado de consciências e principalmente inconsciências, que tentavam fugir do juizo final, uma comunidade do caos - a procura de prazeres que fustigassem, fizessem passar o sofrimento no inferno de Dante atual - antes que o destino os levassem... O que chocava a maioria dos transeuntes - era que todos são ateus, apesar de acreditarem em pasrores evangelicos, por influencia materna e o eterno sofrimento das mães, alguns sem saber, eu convicto da cretinice das religões oficiais que tem só um objetivo, sou seja a dominação e o poder. Ficava me perguntando:

- Estes caras não leram a biblia? 

- Não tiveram contato com Descartes que a partir da dúvida chegou a conclusão que deus existe? 

Porque não evoluiram para o deus de Espinosa, ou seja, deus é a natureza e a natureza é deu...

Quantas perguntas infames para aqueles seres que estam preocupados em sobreviver... Isto se passava na minha cabeça de ateu, apenas como ironia, diante tanta ignorancia pura. Contudo, entre ironias e fés, ficou acordado que só a partir do blimg blomg dos sinos, começariamos a beber nos domingos. Estariamos com passaporte para o ceu o resto da semana, ou seja, cairamos de quatro no chão como Napoleão em Waterloo & tudo ficaria bem... O padre nos prometeu vinho na pascoa e nos negociamos um garrafão de tinto e nesta semana  encerrariamos o  nosso Open Bar, pois a polícia nos deu um ultimato, influenciados pela classe mediana que queria excluvisidade do espaço  & teriamos que cerrar o Irruptiom Bar...



Os dialogos surgiam paradoxais - um falando em cortar grama em altas temperaturas do sol - do extremo sul do Brasil, depois chegava o taxista fuzileiro naval US, cheirado, cocainado - perguntando porque as pessoas tem que tomar medicamentos para dormir. Ao mesmo tempo que surgia uma mulher que vivia a merce da praça, trocando em miudos, cambiando seu corpo por alguns trocados. Porém ela mostrava ter alguma cultura e não sei qual evento a carregou para a furia das ruas. E eu ali bebendo, pensando em Kerouac & Cassidi. Vou transformar isso em um texto. Contudo, neste interim, faleceram muitas pessoas proximas. Fiquei encucado com a transitoriedade que nos ronda. A morte começou a fazer parte dos giros cerebrais, mas pelo open bar passaram pessoas com um nível de entendimento compatível com o meu - bebiamos cervejas nas manhã ensolaradas de domingo. Lembro do Marino - era um cara que tinha conhecido há algumas decadas. O ex companheiro de revoluções e utopias, ultimamente, parece que era adepto de uma ideia japonesa "seita"  - que se instalou em MT y migrou para florianopolis. Ele tinha se transformado em um seguidor de um  budismo independente em SC. Ele falava que tinha que ler algumas sutras embaixo de uma árvore e depois ficava algum tempo meditando. Outrora foi esqueitista de um boulevard inclinado, depois se tornou fotografo de partos y vagidos no hospital do Moinhos de Vento e dai em diante os laços foram cortados como cordões umblicais. Agora estavamos face a face no Irruption Bar... Comentamos, como foi bom o tempo em que frequentavanos os bares convencionais - onde falavamos de computadores, do planeta deleterio ou se eramos felizes ou estavamos felizes, enfim a dialectica que impulsionava nossos corpos jovens em busca da revolução infalível & infinita...


THE END - Nada será como antes...




  Teresópolis, ou a Última Noite que Nunca  Terminou Dizem que os bairros também envelhecem. Não pelas casas, nem pelo asfalto que se recomp...