Ouroboros da Existência
Submerso nos bucles da vida, carrego o círculo vicioso de Sísifo como marca indelével da condição humana. Latas de cerveja espalham-se pelo chão da peça solitária onde minhas elucubrações giram em trezentos e sessenta graus, retornando sempre ao mesmo ponto. O futuro é apenas miragem: o looping é irreversível.
Os campos quânticos fazem o nada vibrar no vácuo das almas. Sou absorvido por insubstâncias que escapam aos sentidos, fluxos que revelam que não há início nem fim — apenas partículas consolidadas no infinito eterno.
Do paleolítico ao silício, nossas reações psicológicas repetem o destino da pedra que sobe a montanha e desce pelo declive.
O garçom é reflexo da alma. Não partilho da simpatia de Sartre quando recorre à metáfora da má-fé para sustentar sua filosofia burguesa. A Revolução Francesa é prova cabal de que tudo retorna. Nada evolui.
As mudanças são apenas véus sobre um conteúdo que se perpetua no desconhecido. O manto das verdades é tecido pelo vazio dos átomos, suas partículas e subpartículas, mostrando que nem no vácuo podemos negar a presença do nada.
Tudo é ouroboros. Convido-te a viver na natureza selvagem. A natureza selvagem é o deus selvagem, afiando as lentes de Espinosa. Vamos pegar nossas mochilas e subir às cordilheiras, contemplar o universo em uma atmosfera límpida e diáfana, e permanecer na naturalidade do planeta-homem — como os aborígenes que sempre souberam que o infinito pulsa na terra...


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